SWING MISTURA CERTA - R. VINTE DE ABRIL, 9 - CENTRO
Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.
—Thomas Carlyle
Algo que aprendi na minha extensa jornada é que todo talento que foi aperfeiçoado pelo treino e pelo estudo ganha o poder de encantar, mas também pode causar ressentimentos. Encanta àqueles privilegiados com a sabedoria de apreciar, mas causa ressentimento naqueles em que a debilidade é maior do que a capacidade do encanto.
O maior talento que desenvolvi, porém, foi o respeito pelo outro. Crítica não é afronta e, por mais que nos suponhamos o centro do mundo, nem todas as críticas são endereçadas ao nosso ego faminto. Críticas são ensinamentos para quem cultiva a inteligência.
Tenho bom-humor, tento ser simpático mesmo com os antipáticos, faço questão de cumprimentar todos, mas nunca cometo a deselegância tosca do desrespeito, pois o desrespeito é o talento exclusivo dos palermas e eu detestaria me sentir assim. Além disso, sou um velho e valorizo muito a experiência e a dignidade que o tempo nos concede. Como costumo dizer, sou um britânico exilado nestes trópicos de manadas obtusas.
Sou essencialmente amigo, sou leal e por isso mantenho parcerias longevas como a que tenho com o camarada Brand e outros poucos com quem esbarrei na minha antediluviana relação com os fóruns. Carrego história e conteúdo. Não insultos. Não sou polêmico, como sempre tentam me rotular, o que não sou é igual à maioria. Penso, logo existo.
Nessas décadas em que me faço ativo escrevendo, aprendi muito com alguns foristas do passado com quem eu não simpatizava. Posso não simpatizar, mas não me fecho, nem me privo de aprender com os melhores, mesmo que não aprecie a personalidade de alguns deles.
Não existe campo mais competitivo e ególatra do que o da literatura e eu sou um operário da palavra. Talvez, por isso, já esteja acostumado a tratar com haters de plantão e neuróticos de ocasião. Qualquer atividade que compete com egos nos traz o risco de trombar com gente descompensada emocionalmente. É do jogo e eu aceito as regras do jogo.
— Por que você perde tempo escrevendo em fórum de putas? — esse foi o questionamento que mais ouvi desde que me cadastrei no Hot-Fórum há mais de 20 anos. A resposta é que não cultivo preconceitos, os fóruns me trouxeram uma experiência extraordinária na criação de narrativas, o primeiro livro que lancei em 2009 lotou a livraria de foristas e outros tipos de leitores, até um cineasta foi me procurar na noite de autógrafos. Conheci pessoas inteligentíssimas e talentosas (não são muitas, mas existem) através dos fóruns. Fico um pouco frustrado quando vejo os mais jovens neófitos não aproveitarem a oportunidade que aproveitei aqui.
Semana passada, descobri que um artigo que escrevi sobre a Vila Mimosa em um conhecido jornal serviu como referência para três trabalhos de conclusão de curso em universidades federais do Rio e de São Paulo. Isso é um prêmio. Provavelmente, eu não seria capaz de escrever o tal artigo se não tivesse o Dante como o meu cicerone pelas madrugadas cariocas. Sou grato aos fóruns e ao meu alterego, me agregaram muito mais do que o tempo que dediquei a eles.
Já era noite quando me encontrei com a Tice nos arredores da Cinelândia. Como ela faltou ao trabalho nesse dia, a compensei com um valor em dinheiro.
Levei-a para o Amarelinho. Conheci Tice pelo Tinder, ela é paranaense do interior, sotaque forte e cheia da energia dos 25 anos de idade. Ruiva, cabelos longos, olhos verdes, um corpo todo durinho contemplado por seios médios e uma das bundas mais apetitosas que já vi.
No Amarelinho, descobri que a menina bebe bem, enche o pote. Depois de litros de gim, abandonou a timidez e exalou gestos mais eróticos. Diante daquela transformação inesperada, perguntei se ela aceitaria ir ao swing comigo.
— Não conheço, mas vambora — ela me responde.
Vinte minutos depois, entramos no Mistura Certa.
Casa cheia na sexta-feira, vi muitas cavalas e mulheres gostosas. Show de strippers. Tice continuou entornando mais alguns litros de gim e ficando cada vez mais exótica no comportamento. Para fazer o sangue dela circular, sugeri visitarmos o sombrio labirinto sexual.
Penetramos na escuridão labiríntica de paredes e cabines. De repente, ouço a voz alterada de Tice reclamando furiosa.
— Porra. Passaram a mão na minha bunda. Quem foi? Quem foi? — girava os braços balançando o punho fechado — aparece que vou te dar um soco.
Subitamente, o labirinto esvaziou. Suei para acalmar a menina e a retirei dali.
Rodamos um pouco mais e acabamos dentro de um quarto grande, com três camas imensas, onde acontecia uma orgia perpétua e indecente. Mulheres gemendo, gritando enquanto eram penetradas ao mesmo tempo em que abocanhavam dúzias de pintos eufóricos que se apresentavam aos lábios delas.
Tice, vendo aquilo tudo, deve ter ficado excitada. Ébria, arriou a minha calça com violência e engoliu o meu combalido pênis num boquete cheio de ânsia e profundidade. Impossível resistir, gozei meus inválidos espermas em sua boca. Tice cuspiu e pediu outro gim.
A garota ficou muito bêbada, não se lembrou de quase nada no dia seguinte. Sem condições de permanecer com ela na boate naquele estado precário, pedi um táxi e a deixei em casa. Tice ficou irada, me xingou alegando que queria ir para a minha casa. Enrolei, me desculpei e fugi dali depois que ela entrou na residência.
Fim de noite. A vida passa, páginas são escritas neste romance erótico que terminará, inevitavelmente, inacabado. A aventura continua...
—Thomas Carlyle
Algo que aprendi na minha extensa jornada é que todo talento que foi aperfeiçoado pelo treino e pelo estudo ganha o poder de encantar, mas também pode causar ressentimentos. Encanta àqueles privilegiados com a sabedoria de apreciar, mas causa ressentimento naqueles em que a debilidade é maior do que a capacidade do encanto.
O maior talento que desenvolvi, porém, foi o respeito pelo outro. Crítica não é afronta e, por mais que nos suponhamos o centro do mundo, nem todas as críticas são endereçadas ao nosso ego faminto. Críticas são ensinamentos para quem cultiva a inteligência.
Tenho bom-humor, tento ser simpático mesmo com os antipáticos, faço questão de cumprimentar todos, mas nunca cometo a deselegância tosca do desrespeito, pois o desrespeito é o talento exclusivo dos palermas e eu detestaria me sentir assim. Além disso, sou um velho e valorizo muito a experiência e a dignidade que o tempo nos concede. Como costumo dizer, sou um britânico exilado nestes trópicos de manadas obtusas.
Sou essencialmente amigo, sou leal e por isso mantenho parcerias longevas como a que tenho com o camarada Brand e outros poucos com quem esbarrei na minha antediluviana relação com os fóruns. Carrego história e conteúdo. Não insultos. Não sou polêmico, como sempre tentam me rotular, o que não sou é igual à maioria. Penso, logo existo.
Nessas décadas em que me faço ativo escrevendo, aprendi muito com alguns foristas do passado com quem eu não simpatizava. Posso não simpatizar, mas não me fecho, nem me privo de aprender com os melhores, mesmo que não aprecie a personalidade de alguns deles.
Não existe campo mais competitivo e ególatra do que o da literatura e eu sou um operário da palavra. Talvez, por isso, já esteja acostumado a tratar com haters de plantão e neuróticos de ocasião. Qualquer atividade que compete com egos nos traz o risco de trombar com gente descompensada emocionalmente. É do jogo e eu aceito as regras do jogo.
— Por que você perde tempo escrevendo em fórum de putas? — esse foi o questionamento que mais ouvi desde que me cadastrei no Hot-Fórum há mais de 20 anos. A resposta é que não cultivo preconceitos, os fóruns me trouxeram uma experiência extraordinária na criação de narrativas, o primeiro livro que lancei em 2009 lotou a livraria de foristas e outros tipos de leitores, até um cineasta foi me procurar na noite de autógrafos. Conheci pessoas inteligentíssimas e talentosas (não são muitas, mas existem) através dos fóruns. Fico um pouco frustrado quando vejo os mais jovens neófitos não aproveitarem a oportunidade que aproveitei aqui.
Semana passada, descobri que um artigo que escrevi sobre a Vila Mimosa em um conhecido jornal serviu como referência para três trabalhos de conclusão de curso em universidades federais do Rio e de São Paulo. Isso é um prêmio. Provavelmente, eu não seria capaz de escrever o tal artigo se não tivesse o Dante como o meu cicerone pelas madrugadas cariocas. Sou grato aos fóruns e ao meu alterego, me agregaram muito mais do que o tempo que dediquei a eles.
Já era noite quando me encontrei com a Tice nos arredores da Cinelândia. Como ela faltou ao trabalho nesse dia, a compensei com um valor em dinheiro.
Levei-a para o Amarelinho. Conheci Tice pelo Tinder, ela é paranaense do interior, sotaque forte e cheia da energia dos 25 anos de idade. Ruiva, cabelos longos, olhos verdes, um corpo todo durinho contemplado por seios médios e uma das bundas mais apetitosas que já vi.
No Amarelinho, descobri que a menina bebe bem, enche o pote. Depois de litros de gim, abandonou a timidez e exalou gestos mais eróticos. Diante daquela transformação inesperada, perguntei se ela aceitaria ir ao swing comigo.
— Não conheço, mas vambora — ela me responde.
Vinte minutos depois, entramos no Mistura Certa.
Casa cheia na sexta-feira, vi muitas cavalas e mulheres gostosas. Show de strippers. Tice continuou entornando mais alguns litros de gim e ficando cada vez mais exótica no comportamento. Para fazer o sangue dela circular, sugeri visitarmos o sombrio labirinto sexual.
Penetramos na escuridão labiríntica de paredes e cabines. De repente, ouço a voz alterada de Tice reclamando furiosa.
— Porra. Passaram a mão na minha bunda. Quem foi? Quem foi? — girava os braços balançando o punho fechado — aparece que vou te dar um soco.
Subitamente, o labirinto esvaziou. Suei para acalmar a menina e a retirei dali.
Rodamos um pouco mais e acabamos dentro de um quarto grande, com três camas imensas, onde acontecia uma orgia perpétua e indecente. Mulheres gemendo, gritando enquanto eram penetradas ao mesmo tempo em que abocanhavam dúzias de pintos eufóricos que se apresentavam aos lábios delas.
Tice, vendo aquilo tudo, deve ter ficado excitada. Ébria, arriou a minha calça com violência e engoliu o meu combalido pênis num boquete cheio de ânsia e profundidade. Impossível resistir, gozei meus inválidos espermas em sua boca. Tice cuspiu e pediu outro gim.
A garota ficou muito bêbada, não se lembrou de quase nada no dia seguinte. Sem condições de permanecer com ela na boate naquele estado precário, pedi um táxi e a deixei em casa. Tice ficou irada, me xingou alegando que queria ir para a minha casa. Enrolei, me desculpei e fugi dali depois que ela entrou na residência.
Fim de noite. A vida passa, páginas são escritas neste romance erótico que terminará, inevitavelmente, inacabado. A aventura continua...