CLUBE 13 - PÇ OLAVO BILAC, 13 - CENTRO

Dante
Dante
Qui Jul 09, 2026 11:25 pm
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PRAÇA OLAVO BILAC, 13 - CENTRO

Sem alcançar a sagrada ejaculação — o Santo Graal da minha tarde lasciva — saí daquele pardieiro que é a Uruguaiana 24 com a sensação de que, além da dignidade, tinha perdido também uns 12% da minha fé na humanidade. E, claro, o saco ainda cheio. Uma pressão interna que beirava o metafísico, como se meus testículos tivessem assumido o papel de consciência moral e gritassem: porra, faça alguma coisa, por Deus!

Caminhei pela calçada com passos lentos, entre camelôs vendendo capas de celular e um povo com cara de quem devia a algum agiota que amputa os devedores. Pensava: onde, afinal, encontrar um lugar digno — ou pelo menos eficaz — para que meus espermatozoides inférteis pudessem passear um pouco antes de morrer de tédio?

“Vou na 13”, pensei. Não por convicção, mas porque, naquela altura do campeonato, o critério havia se tornado um misto de desespero e o mínimo de distância possível. A 13 — nome de código entre degenerados da terceira idade — era minha próxima esperança. Um local onde os lençóis talvez não cheirem a mofo e onde, com sorte, alguma alma generosa com seios médios e paciência acima da média me ajudasse a, enfim, esvaziar a impaciência da minha bolsa escrotal.

Fui como quem vai ao dentista: resignado, ligeiramente envergonhado, e com uma esperança secreta de que, dessa vez, talvez... só talvez... alguém me chuparia com compaixão.

Cheguei na 13 com a esperança de quem já não acredita em milagres, mas ainda assim acende uma vela só por precaução. O ambiente era mais asseado que o da Uruguaiana 24, o que, convenhamos, não é grande feito. Ainda assim, havia uma tentativa de dignidade no ar — talvez fosse o aromatizante cítrico lutando contra o cheiro ancestral de suor e desilusões sexuais.

Encostei a barriga no balcão do bar, pedi uma cerveja. E foi então que vi Elis.

Morena, alta, sorriso de propaganda de pasta de dente vencida. Tinha um ar distraído, como se estivesse ali apenas de corpo presente, enquanto a alma tomava uma caipirinha com algum velho da lancha. E eu, é claro, me encantei. Por que o que é mais sedutor para um homem emocionalmente atrofiado do que uma mulher que claramente não está nem aí?

Entrevistei e subimos.

Ela foi prática. Tirou a roupa com um automatismo quase militar. Tinha um corpo bonito, firme, daqueles que fazem você repensar seus hábitos alimentares. Deitei-me. Ela veio por cima e começou a me beijar no pescoço com uma competência clínica, como quem marca presença sem compromisso.
Falei, em tom confessional:

— Só quero gozar.

Ela deu um risinho sem graça, como quem já ouviu isso umas 58 vezes naquela semana, e respondeu:

— Relaxa, vai dar certo.

Mas não deu.

Ela começou o boquete — técnico, eficiente, quase pedagógico. Mas algo estava errado. Pikachu, meu eterno companheiro de frustrações, não estava 100% convencido. Ele dava sinais de vida, mas não havia entusiasmo. Era como se dissesse: “Sério que é isso de novo? A gente não aprende, né?”

Elis então tentou outra abordagem. Subiu no meu tronco, cavalgando com profissionalismo e indiferença. Rebolava direitinho, fazia carinha, gemia no tom certo — tudo nos conformes. Mas no meu íntimo, eu estava num redemoinho de pensamentos: o escândalo do INSS, a demissão do Lupi, minha glicose, e aquela sensação de que, mesmo nu, ainda me faltava algo essencial.

Ela tentou me beijar de novo, mas meu cérebro já tinha entrado em modo reunião de condomínio. Tudo fora do lugar, e eu tentando mentalmente implorar ao meu pênis que colaborasse. Mas ele, teimoso, recusava-se a ser cúmplice de mais uma farsa afetiva mal paga.

Passaram-se minutos. Ela olhou o relógio. Eu fingi que ainda havia esperança. Fizemos algumas manobras, posições, técnicas ancestrais e modernas. Nada.

Ela, gentil, disse:

— Quer tentar de quatro?

E eu, derrotado:

— Não consigo.

No fim, saí sem gozar. Outra vez. Trôpego, suado, e com o saco do tamanho de uma angústia freudiana.

Elis deu um sorriso quase fraterno.

— Acontece muito, sabia? Homem é muito da cabeça.

Respondi:

— Acho que meu pênis tem ansiedade social.

Vesti a roupa lentamente, como quem deixa o palco após uma peça ruim. E fui embora pensando: talvez eu precise menos de sexo e mais de um abraço — com final feliz.

CACHÊ = R$ 180,00 1H
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