Re: CAROL TERAPEUTA - TIJUCA
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CAROL É A MELHOR MASSAGISTA DA BUCÓLICA TIJUCA.
Não dá para começar de outro jeito. Digo logo, com a saliva ainda fresca de quem mordeu o próprio nome: Carol não é apenas a melhor massagista da bucólica e obscena Tijuca — ela é um vício com mãos de veludo. Um pecado que se paga de bruços.
Sim, há outras. Mas quem diz isso ou é virgem de experiência ou tem a honestidade de um político em véspera de eleição. Eu conheço a Carol como se conhece um vício antigo: desenvolvemos entre nós afeto, amizade e gratidão. Já dividimos mais que lençóis.
Fiquei meses sem vê-la. Culpa da vida, essa vadia apressada que atropela os desejos mais legítimos. Um dia, com a melancolia em ponto de ebulição, mandei um zap. Ela respondeu rápido, como quem sabe que há gente esperando por salvação. Disse que tinha horário. Eu fui.
A tarde estava pornograficamente bonita: céu azul, sol calmo, um clima de redenção. Dei uma passada no Brotinho de Ouro, templo ancestral da pizza com gosto de infância e cinemas de rua. Data de quando a Tijuca era quase uma filial de Hollywood. Fica ali na galeria Skye, um desses lugares que resistem à morte com a teimosia dos velhos apaixonados. Na tela da TV um vídeo antigo tocava Alessi Brothers.
ALL FOR A REASON
Comi como um condenado na última ceia. Depois, segui para as mãos de Carol. Porque com Carol, cada toque é um exorcismo.
Sou recebido em sua sala discreta, quase monástica, como se fosse um confessionário de luxúria. Tudo no lugar, tudo limpo, tudo mentindo uma pureza que não engana ninguém. E então ela me beija. Não é beijo de bom dia, não é beijo de novela. É beijo de desobstruir a traqueia, de ressuscitar cadáver e fazer padre renegar o celibato.
Carol não caminha — ela desfila como uma procissão profana. Pedaçuda, voluptuosa, indecente na medida certa. É mulher em ponto de fervura. Sempre. Com ela, o desejo não espera. O corpo entende antes da alma.
Da recepção à cama é um corte seco, como nas cenas de cinema em que ninguém finge moralismo. A toalha aguarda como uma testemunha muda, e eu me entrego como um réu confesso. Ali, entre os óleos e os gemidos contidos, começa o ritual de descompressão — do músculo, do juízo, do resto de dignidade que ainda carrego.
Termina a massagem. Termina também a trégua. O óleo esfria, o ar pesa, e Carol, como uma sacerdotisa, desce com a boca até meu combalido pênis — esse pobre bastardo que já não tem idade para bravatas, mas insiste em acreditar no milagre.
Ela o engole com um furor místico, como quem saboreia uma hóstia pagã, um cálice de carne endurecida. Não há pudor. Não há hesitação. Há apenas aquela fome — ancestral, urgente — que transforma o prazer em agonia e o homem em bicho.
Confesso, caro Forista, com a honestidade dos velhos libertinos: é quase impossível resistir. O corpo quer gozar. Quer acabar logo com aquilo. Quer soltar a alma pela uretra e cair morto, sorrindo, como um mártir saciado.
Mas eu resisto. Resisto como um soldado magrelo em filme americano sobre o Vietnã. Um desses coitados que ficam encurralados na lama, com o fuzil falhando e a carta da mãe no bolso. É uma resistência burra, quase heroica, quase patética.
E como no Vietnã, eu sabia: a derrota era inevitável. Gozei como se entregasse meu último suspiro. Um suspiro carregado de luxúria, vergonha, e uma gratidão doente por aquela mulher que sabe arrancar do homem não só o sêmen, mas também os demônios.