LARA X - (21) 98100-4127 - CENTRO

Dante
Dante
Ter Jul 14, 2026 11:46 am
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Acredite, forista sem fé. Deixei o Sucatão num estacionamento subterrâneo, sincronizei meus aparelhos auditivos com o celular, consenti que as batidas da música despertassem meus tímpanos surdos e emergi para o mundo como quem rompe um útero.

UPSIDE DOWN

A tarde carregava nas costas um céu cinzento, pesado, opaco, que trancava nossa visão numa bolha intransponível. Eu avançava com minhas botas pela amplidão das calçadas destruídas e miseráveis da Cinelândia, possuído por uma fome ancestral, pelo desejo irrefreável, pela vontade inadiável de sexo.

Há tempos não entrava no número 37 da Álvaro Alvim. Sofro de uma apatia quase incurável quando se trata de sair com freelancers. Quando escolho alguma, é movido pelo impulso da curiosidade que conduz à exceção. Desenvolvi uma síndrome peculiar: toda vez que uma moça de sala abre a porta, tenho a impressão de encarar uma instrutora de datilografia do curso Remington — e o tesão despenca pela ladeira.

Sou um homem dos anos 80; o clímax da minha juventude pulsou ali. Homens dessa época, especialmente os que atravessaram a vida no celibato, associam o sexo à aventura, não apenas à ejaculação tediosa e infértil. Isso não me impede, porém, de escolher uma freelancer ocasionalmente. Dessa vez, optei pela menina conhecida como Lara X.

*****

Atravessei a portaria sem sequer dar boa tarde ao porteiro, embarquei no elevador e alcancei o sétimo andar. Percorri o labirinto de corredores e encontrei a sala. Toquei a campainha. Como sempre, a porta se abriu sem que ninguém aparecesse — a surpresa costuma morar atrás da porta. Entrei no aposento, e a jovem Lara surgiu com um sorriso que parecia a própria encarnação da luxúria. Não era a cara de uma instrutora de datilografia. O beijo brotou sem pedido, sem aviso, sem defesa. Lábios, línguas, nos embolamos num nó cego que demorou a se desfazer.

Lara é pequena, mas pedaçuda. Bunda grande, com bandas redondas — daria para desenhar ali o mapa-múndi da perdição. Coxas grossas, seios pequenos, corpo firme. Não houve decepção; ao contrário, a ânsia de degustar aquela pequena notável aumentou assim que fiquei diante dela.

Joguei uma água na minha velha carcaça e retornei para o embate.

— Quem é você no fórum? — Lara pergunta.

— Dante. Me chamo Dante — respondo naquele tom insuportável de quem se acha famosinho.

— O Dante que eu conheço é aquele que escreve textos enormes.


Chocado, pensei: no fim, somos todos resumidos a uma caricatura.

*****

Cama feita, nos deitamos. De imediato, saquei meu aparelhinho de eletrochoque e o encostei no clitóris assanhado de Lara. A garota enrijeceu, contorceu-se, gemeu, sussurrou uma língua intraduzível — e gozou de forma estrondosa. Voltei a beijá-la, mamei seus seios; a cada toque ela se encolhia, ainda hipersensível pelo orgasmo anterior.

Fôlego recuperado, ela inverteu o jogo. Subiu sobre o meu tronco, lambeu meu tórax, desceu pela minha avantajada barriga e encontrou meu assustado e combalido pênis. Em um único golpe, engoliu meu pau inteiro — o que, convenhamos, não é tão difícil se falarmos de métrica. Um boquete guloso, incessante, incansável. Lara queria minha seiva, e aquela boca parecia uma serra elétrica determinada a derrubar minha modesta árvore da vida.

À beira de pedir arrego, pedi que Lara viesse por cima novamente. Terreno preparado, ela se encaixou no meu inconstante Pikachu e iniciou a cavalgada das Valquírias. Saltava e descia sobre minha virilha, rebolava, gemia. De vez em quando, Pikachu escapava e era recolocado no cativeiro úmido e quente daquela vagina insaciável. Não deu mais para segurar; explodi num delirium tremens violento.

*****

Fiquei estatelado sobre o colchão por alguns minutos, tão fraco que não conseguia sequer mover os olhos. Lara, ao contrário, seguia disposta e tentou reanimar meu pênis com as mãos. Infelizmente, a cada tentativa, o carcomido Pikachu só demonstrava vontade de fugir dali e pegar o metrô de volta para a bucólica Tijuca. Eu não tinha a menor condição de encarar um segundo tempo. Lara é uma vampira de sêmen.

Conversamos um pouco; tentei fazer a menina esquecer que eu tinha um pênis. O tempo acabou e me despedi com a promessa de repetir o encontro.

*****

Novamente, me vi despejado na paisagem melancólica da Cinelândia, que num passado distante foi referência da Belle Époque. Eu também não era diferente: envelhecido, caminhando sem destino certo, um solteirão convicto, sem filhos ou herdeiros. O crepúsculo começava a despontar, e para um libertino a noite não é escolha — é destino. Sincronizei meus aparelhos auditivos com o celular e deixei que a trilha sonora viesse…

HOT STUFF

Voltei aos anos 80. E, se me perguntassem o meu nome?

— Dante. Me chamam Dante — eu responderia como um personagem que diz ao seu autor que leva uma vida muito mais emocionante que a dele.
Dante, Papai Noel, Arquiteto, Madruguinha e Detonador curtiram esse relato.
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