Nostalgia

Nostalgia

De umas semanas para cá, ando nostálgico. Creio que a última grande chance que tive de me unir a uma mulher e adotar uma vida estável e pacata foi entre 2005 e 2006. Moça de família, trabalhava na área de saúde, funcionária pública, inteligente e carinhosa. Joguei fora, mas antes de jogar fora eu a iniciei em swing e jogos promíscuos, algo que, apesar de ter aceitado, certamente a decepcionou muito naquilo que esperava de mim. Se lamento ter deixado a oportunidade passar? Sim, lamento.

Comecei a sentir saudade daqueles tempos. Ela morava em Teresópolis, lugar que venho pensando em visitar em breve, pois tem sido recorrente na minha memória. Não irei encontrar nada lá, além do vazio e sensação de perda, mas é como se eu estivesse sendo empurrado para ir.

— Mas você se diz um libertino, Dante — diria o leitor que me acompanha. Parece que a idade está me impondo provações, me fazendo enfrentar o cansaço da solidão e o desafio de viver com as minhas convicções mais antigas. Jamais me arrependi de não ter procriado, concebido filhos, mas volta e meia me faz falta uma companhia, uma parceira que vá além do objeto de desejo, mesmo sabendo que o romance é uma utopia ilusória. É possível que seja uma fraqueza imposta pelo início da velhice.

Em um prédio na rua Edmundo Bittencourt, em Teresópolis, vivi dias de frio, mas aconchegado pela companhia de uma mulher jovem que conseguia me preencher de forma positiva. O que disparou o gatilho da nostalgia foi esbarrar com uma série chamada The O.C., programa que eu costumava assistir aos sábados pela manhã, quando chegava ao apartamento em Terê. É uma angústia só podermos regredir no tempo através das imagens impalpáveis da memória.

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