2A2 - RUA VISCONDE DE CARAVELAS, 176 - BOTAFOGO

Dividir é multiplicar...
TÓPICO DA VANESSA
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Dante
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Pamela

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Dante1 (1).jpg

O forista de cativeiro, aquele que só frequenta salas de garotas remuneradas e motéis, talvez não consiga visualizar desventuras como a que narrarei aqui. O mundo do libertino é mais refletido à noite, é um território estendido que envolve outras modalidades de volúpias e meretrícios. É uma zona de surpresas e perigos.

Estava ansioso, esperando a morena que conheci pelo Tinder, o nome do registro é Pâmela. Como tantas outras cadastradas nesse aplicativo, Pâmela não se assume como garota de programa, diz que dá preferência para sair com quem gosta de mimar. Além dessa regra, ela diz que precisa rolar química, que eu entendi que só ocorre de acordo com o valor oferecido. Apelidei essa camuflada categoria de mulheres promíscuas de Sugar-Money.

Eu só tinha visto fotos. Fotos, dependendo do peso dos filtros, fazem qualquer jacaré se parecer com a Beyoncé. Ainda fico nervoso com esses encontros, no último deles conheci Tice, que até pude apresentar para uma rapaziada presente no Bar do Zezé, uma menina que me surpreendeu positivamente. Agora, esperava Pâmela em um bar da Praça Varnhagem, na feérica rua Almirante João Cândido Brasil, coração noturno da bucólica Tijuca. Disse-me ter 22 anos. Estava atrasada.

Eu me vesti de forma clássica. Como sempre digo, sou um britânico exilado nesses trópicos de manadas obtusas. Subitamente, uma morena exponencial atravessa o salão emoldurada por um vaporoso vestido vermelho cuja fenda em uma das pernas revelava a amostra da coxa afrodisíaca, ela me encarava como um matador de aluguel contratado para me fuzilar. Era Pâmela.

— Dante? — ela me pergunta.

— Sim. Dante, me chamo Dante.

Pâmela sorri e se senta sem cerimônias.

— Posso pedir um gim? — me lança na lata.

Assenti. Gim é uma febre feminina que chegou para falir um homem durante os encontros românticos, uma bebida cara, servida numa taça que parece banheira de Sabiá, carrega a única vantagem de embriagar com suavidade a vítima do nosso cortejo.

Na terceira dose de gim, acionei a calculadora do celular para estimar o prejuízo. Eu seguia devagar no meu uísque, esperando o álcool desativar alguma possível desconfiança da garota. Aguardei a quarta dose para dar início à conversa que revelaria o meu real objetivo.

— Estou com vontade de ir a um swing? Já foi? — a sorte estava lançada.

— Swing? Fui em um da Barra uma vez. Gostei — Pâmela responde.

— Quer me fazer companhia hoje?

— Depende? Vai me mimar?

— Topa por 250?

Pâmela frisa os olhos, titubeia e eu emendo...

— Pô, faz por 250. Assim consigo sair outras vezes com você.

— Aonde quer ir?

— No 2A2, em Botafogo.

— Agora?

— Agora — decretei.

Considero Botafogo um dos bairros mais irrelevantes do Rio de Janeiro, perde para o Andaraí. Não é um lugar para o qual nós vamos, é um lugar por onde passamos. Por algum motivo, talvez pela discrição, o 2A2 decidiu se instalar em uma casa na fronteira de Botafogo com o Humaitá, a soma de duas irrelevâncias geográficas é menos drástica.

...................................................................

A boate estava lotada, fila, mulheres jovens com roupas que fariam Madonna enrubescer. Não demoramos para entrar, deixo meus pertences num saco que é guardado pela recepção. De cara, avisto novinhas com seios delirantes à mostra. Pâmela pergunta se posso pegar outro gim, não olhei mais a calculadora, estava convencido de que o prejuízo seria grande.

Meu desejo de pegar uma daquelas novinhas exibindo os peitinhos-agulha conseguia ser maior do que o tesão para comer a Pâmela, de quem eu só conseguia ver uma das pernas exibidas pela fenda do vestido vermelho. Após a segunda dose de gim (somadas a mais 4 do percurso), sugeri à morena Pâmela que subíssemos ao andar da luxúria. Ela aceitou, já estava em um estado etílico avançado, creio que aceitaria até doar um rim se alguém sugerisse. Subimos.

O segundo andar estava pegando fogo, gente se agarrando, casais se comendo, gemeção, só faltava o cavalo de Calígula. Percebi que Pâmela estava excitada com a visão. De repente, senti um bafo quente no meu ouvido, alguém cochichou...

— Boa noite — uma voz rouca que me lembrou a do meu avô.

Quando giro o pescoço, me deparo com um casal na faixa dos 70 anos de idade, o velho baixinho calvo e a mulher cheia rugas e fios brancos na cabeça.

— Desculpe-me por incomodar, mas é que reparei que você é da nossa faixa etária...

— EU?! — admito, fiquei indignado, não estou tão acabado assim. Sou um idoso que se pensa jovem

— Sim, o senhor. Sua esposa é mais jovem, eu percebi...

— Ah! Eu gosto dos mais velhinhos — responde Pâmela se intrometendo.

— É que a minha esposa gostou do senhor e eu gostei da jovenzinha que é sua companhia. Será que podemos fazer uma brincadeira?

Não tive tempo de mandar o velho indecoroso para o inferno, Pâmela interferiu antes.

— Vamos, amor. É diferente. Eu quero — ela diz.

Quando dei por mim, estávamos sendo conduzidos a uma sala escura, eu mal enxergava os vultos. Ouvi o velho gemendo ao meu lado e sussurrando “ai, que boquinha gostosa... ai, que boquinha gostosa”. Na esteira, em um gesto de violência sem precedentes, a velha grisalha arriou a minha calça com a ânsia de uma noiva do Drácula buscando a pulsante jugular. Meu combalido pênis foi vampirizado. Comecei a me beliscar, acreditei que aquilo tudo era um pesadelo, me debatia para acordar como quem afunda em uma areia movediça. Não acordei.

Cai o pano
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Quem não tem mérito, tem raiva...
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Vanessa

Mensagem por Dante »

Anoiteceu... O ar tem outro aroma à noite, durante o dia arde e quando anoitece nos acaricia. Liguei o carro e fui para a 2a2. Era sábado, cheguei pelas 23h, a casa ainda estava calma.

Durante o caminho, resgatei uma das beldades da VM, Vanessa. Ela se revelou uma companhia surpreendente, entrou totalmente no clima, era um dos gemidos mais gostosos que se ouviam pelos corredores da luxúria e havia o detalhe de ser sua primeira vez no Swing.

A Vanessa é uma mulata de 1,70, cabelos compridos, corpo perfeito, seios firmes, rosto de traços finíssimos e o sorriso mais lindo que brilhou aos meus olhos nos últimos tempos. Mas a principal revelação da Vanessa é o seu fogo, a mulher tem um tesão sobrenatural. Ela é daquele tipo de mulher que nos excita pelo tesão, pelos gemidos, pela entrega. Um diamante essa menina!

Conheci a Vanessa na semana passada, numa das minhas idas quase diárias a VM, repeti vários períodos com ela. No último encontro, antes do Swing, eu a convidei para irmos ao 2a2, ela aceitou e não me cobrou nada. Algumas meninas da Mimosa têm esse compromisso de fidelidade com o cliente, a Vanessa já não é a primeira que saio fora e não me pede nada, elas se tornam amigas, não são gananciosas. Talvez, esse seja um dos grandes diferenciais de algumas Frees da VM, são frugais, não vivem para a ganância, não buscam o luxo ou a futilidades.

Dançando num vestido curto, pernas torneadas, movimentos de enguia, veneno de sensualidade, a Vanessa incendiou a pista, sequestrou olhares e cobiças.

Quando o relógio anunciou 00h: 30, a 2a2 estava lotada.

Subimos para o andar onde mora a orgia. Quase não havia espaço para andar, o cheiro de sexo estava forte neste dia. Era impossível escapar a um sarro ou um amasso no “corredor polonês”. Encostamo-nos à primeira esquina escura que vimos e ficamos observando a guerra dos sexos. No canto oposto ao nosso, um felizardo era chupado por três mulheres. Não senti inveja, amigo leitor, mas quis estar no lugar daquele rapaz. Duas das mulheres que o abocanhavam eram lindas, loiras e ferozes.

De repente, encosta um casal ao nosso lado, mantenho o amasso com a minha parceira, o gemido da Vanessa é uma isca eficiente em Clube de Swing. Foi rápido, logo a mulher do cara ao meu lado chapa a mão sobre o meu pênis e aperta. É o sinal! A modulação dos gemidos da Vanessa muda subitamente, dei uma verificada e constatei uma terceira mão sobre o corpo da minha menina. Depois disso, não éramos mais dois casais, éramos um novelo embolado.

Muito arrocho, mãos para todos os lados e uma voz sugere que entremos numa das cabines que estava livre, o novelo embolado estava crescendo demais, outros casais se aproximavam... Entramos numa alcova, trancamos a porta e acenderam a luz...

...

... ...

Perdoe-me, parceiro leitor, releve esses instantes de silêncio, mas ainda fico chocado quando me recordo do que vi e vivi. A mulher do outro casal era linda, dona de uns olhos verdes que hipnotizam. Fiquei inebriado por aqueles olhos, até que me ocorreu apreciar o corpo que acompanhava aquelas duas esmeraldas cintilantes...

... ...

Desculpe-me novamente o silêncio, confrade leitor, foi o choque. A outra mulher não tinha um braço, ou melhor, tinha apenas a metade do braço, um cotoco que ficava exposto por uma blusa de manga curta. Brochei!

Preste atenção, meu fiel companheiro de letras, não foi o aleijão que me fez brochar, mas foi a surpresa desconcertante que aleijou o meu desejo. Ao menos, se eu tivesse pressentido a falta do braço antes... Mas eu não percebi! A mulher era bonita, mas era maneta!

Não, não posso ser um preconceituoso! Não sou um preconceituoso! Não foi a maneta que me fez perder o tesão, foi o espanto, foi isso que detonou o espasmo psicológico que me tornou inútil sexualmente. A menina era deliciosa, mas maneta!

Enquanto a minha mulata se desfazia em gritos motivados pelo coito, eu fiquei conversando com a Maneta sobre a epidemia de dengue, a violência do Rio, debatendo sobre as diferenças de qualidade de vida entre os bairros cariocas, falamos até sobre política.

Poderia ter sido um sexo maravilhoso, eu poderia ter ficado encantado com a presença daqueles olhos brilhantes e verdes, poderia ter me deleitado naquele corpo mignon e quase todo bem desenhado. Eu poderia ter me apaixonado e não foi a falta do braço que impediu a paixão, foi o inesperado que nos legou a fuga da libido.

O que é um braço para o sexo, não é nada, absolutamente nada! A falta de um braço não teria feito a menor diferença para o meu pau, foram os meus olhos os traidores, quando pensaram que iriam ver um par, encontraram o singular, não se conformaram.

Eu olhava a maneta com compaixão e pensava: “Coitada, não tem um braço...”

A maneta me olhava com compreensão e se resignava:

“Tadinho, é brocha...”

Minha companheira retornou ao meu convívio, depois de gritar e gozar intensamente, voltou desgrenhada e com o semblante confuso. Despedimo-nos do outro casal e voltamos para a boate.

Não havia mais clima, meu cérebro girava somente sobre a questão interminável que relacionava o sexo ao braço, minha mente travou reflexão sobre a relação entre o instinto e um membro do corpo, havia também o sentido da visão permeando todo o tema. E eu ia filosofando enquanto uma loira fazia strip-tease
no palco da boate.

Não alcancei conclusão nenhuma, mas lembrei que tínhamos pernas e foram elas que nos levaram de volta ao aconchego alienante do lar.
Quem não tem mérito, tem raiva...
Dante, Madruguinha, Guerra Miraglia e Digboy curtiram esse relato.
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