4X4 - R. BUENOS AIRES, 44 - CENTRO

A vida presta...
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Dante
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Sofia

Mensagem por Dante »

O maior truque já realizado pelo diabo foi convencer o mundo de que ele não existe.
—Charles Baudelaire



Fiquei estático, paralisado, eu não conseguia me mexer, mal respirava, foi como se tivessem inoculado um veneno que me enrijeceu. Fez-se o silêncio na velha cafeteria da entorpecida Avenida Marechal Floriano. Alta, a loira possuía uns olhos verdes que faiscavam, conseguiu suspender a respiração de todos os que estavam presentes no instante em que ela entrou.


Encaixada em um vestido preto, curto e justíssimo, exibia pernas torneadas e cobertas por uma leve penugem dourada, tem uns 25 anos de idade. Os longos cabelos platinados escorriam em cachos suaves pelas costas, quase até a fronteira com uma bunda em relevo firme e esférico indisfarçável pelo vestido, que com aquela protuberância ganhava ares indecorosos. A loira intimidava pela perfeição imoral que exibia.


O diabo existe e estava diante de mim na forma de mulher. Se aquela criatura dotada de beleza extrema estalasse os dedos, seria capaz de conduzir milhares de almas ao purgatório, inclusive a minha. A loira, no entanto, moveu os dedos somente para pegar a xícara cheia de capuccino.


Não me perguntem como e muito menos o porquê, mas pressenti a vibe, a suspeita foi inevitável, apostei que a loira fosse puta. Preparei-me para segui-la assim que deixasse a loja do Café Capital. Ela sorveu com calma o conteúdo da xícara, os olhos faiscantes mostravam-se distantes dali. Mantive-me na tocaia, aguardando e balançando a minha xícara, que naquela altura só guardava a nostalgia pelo café.


A loira terminou o ritual, levantou-se da cadeira, puxou a barra do vestido para baixo e caminhou em direção à avenida dos antigos sobrados. Fui atrás com o desejo e as fantasias de um perdigueiro cansado, mas pervertido.

........................

À medida que caminhava, a loira apressava os passos, andava cada vez mais rápido, como se estivesse atrasada para algum compromisso. Permaneci no encalço, arfando enquanto tentava acompanhar o ritmo daquelas pernas longas e fortes, estava decido a conhecer o destino daquele colosso de mulher.


Seguiu pela Rua Uruguaiana, entrou na Buenos Aires, diminuiu a rotação para observar as vitrines femininas prestes a arriar as portas. Prosseguiu. Enquanto deslizava pelas calçadas carcomidas do Centro, a loira arrastava olhares como as sereias arrastam os marujos que afogam no mar. A mulher é dessas divas magnéticas, cada olhar que esbarrava na sua passageira presença via nela as mais pecaminosas fantasias juvenis.


Após um bom estirão percorrido, ela entrou no único lugar capaz de me fazer interromper a perseguição, o bordel 4X4. Meu instinto estava certo, era uma puta. Que delirante esperança eu posso ter nutrido de que a loira épica entraria num trash de algum beco qualquer?


O céu pesado sobre a minha cabeça, a ameaça de chuva iminente... meu celular emparelha com o aparelho auditivo e Lenny Kravitz invade os meus tímpanos como se me provocasse: para de frescura, pega essa mulher, deixa de merda.


FLY AWAY


Ele me convenceu. Quando dei por mim, já estava subindo os degraus da casa para onde, em algum ponto do tempo, todos os libertinos convergiram e continuam convergindo. O resto se resume aos mais de quinhentos reais que gastei, ao meu mergulho no corpo vastíssimo de Sofia, ao orgasmo que me estremeceu como uma pequena morte no leito azulado pela iluminação da suíte. O resto foi o sonho de ter uma mulher belíssima que não é de ninguém porque escolheu ser de todos, foi olhar dentro dos satânicos olhos verdes e enxergar o imenso amor que ela nutre pelo dinheiro. O resto foram as ruas desoladas no abandono e a nova música que fez a trilha sonora da noite ao inundar os meus ouvidos surdos enquanto a penumbra se adensava.


IN THE SHADOWS


Lentamente, fui desaparecendo nas sombras noturnas para onde também convergem todos os libertinos.
Quem não tem mérito, tem raiva...
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Dante
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Valéria

Mensagem por Dante »

— Adoro homem barrigudinho.

Enquanto desenvolvia a apologia à minha inconstante obesidade, a menina dava uns tapinhas carinhosos no meu abdômen. Velhos são sentimentais, não nego que me comovi com o elogio da moça, quase a ponto de sentir os meus olhos marejarem de emoção. Em um mundo que enaltece a frivolidade das barrigas tanquinho, a minha pança se sentiu finalmente acolhida pela simulação do afeto. A mentira é um emplastro que anestesia as realidades devastadoras da vida.

Eu estava na 4X4, lugar pelo qual desenvolvi certo nível de aversão, tanto pelos preços quanto pela má vontade ostensiva que as mulheres demonstram quando entram no quarto, um contraste com o mel que elas nos derramam quando tentam nos capturar no salão da boate. Como justifico a minha presença em uma casa que afirmo não gostar e que nos cobra os olhos da cara? Explico a minha decisão com base na absoluta ausência de boas opções noturnas. Fora os trashes, a 4x4 é o único bordel que sobrevive às ruínas do Centro, talvez persista por ter sobrevivido à própria incineração que a acometeu há alguns anos. O fato é que eu estava lá, incrédulo por estar lá.

Não satisfeita em estapear a minha barriga, a mulher avançou para abraçá-la, o que me gerou algum constrangimento. Tratava a minha pança como um ser vivo autônomo, separado do meu conjunto físico. É possível, caso ela pudesse optar, que dispensasse a minha presença e subisse à alcova somente com a minha barriga ovalada, que por sua vez me pediria impudicamente para que eu a esperasse retornar da conjunção carnal.

Para mudar o foco, perguntei o nome da aficionada em buchos protuberantes.

— Valéria. E o seu?

— Dante. Meu nome é Dante.


Sentamo-nos em um canto discreto e empreendi a entrevista básica, sem pretensão de escalar as escadas até o quarto. Ocorreu que a Valéria foi aprovada com louvor nas respostas aos meus questionamentos, com uma única estranha ressalva, a menina continuamente desviava os olhos dos meus olhos para encarar o meu umbigo, que se exibia assanhado por uma fresta do roupão puído que me ofereceram no vestiário. Valéria não parecia ter somente uma preferência pelos barrigudos, a situação começava a se revelar como uma tara.

Barrigas não possuem glamour, mas a minha deve ter neurônios, pois pressenti a preocupação dela reverberando no estômago e no intestino. Literalmente, senti um frio na barriga quando a garota, mais uma vez, tentou abraçá-la enquanto estávamos sentados e conversando. Que psicopatia seria essa?

Desisti de pensar sobre o assunto. Afinal, foi na 4X4 que uma das messalinas me ofereceu um kit de Herbalife num passado não muito distante. Criaturas exóticas me perseguem.

GOL DE BARRIGA

Com Pikachu — o Breve — sentindo-se desprezado, decidi oferecer a minha barriga ao sacrifício. Não me perguntem o porquê, mas o fetiche da cortesã se mostrava tão intenso que terminou me excitando pela curiosidade científica de investigar o fenômeno com mais atenta profundidade. Pedi uma alcova.

Já no quarto, tomei um banho e desnudei-me. Valéria já me esperava nua na cama, um corpo interessante, curvilíneo e com relevos atraentes. Deitei-me, a menina saltou sobre o meu tronco e agarrou-me como a ferocidade de um bicho-preguiça, fiquei imobilizado. A mulher lambeu meus mamilos, desceu com a língua deslizando sobre a minha barriga e mergulhou no meu umbigo como se sorvesse um prato fundo de sopa. O nível da perversão dela por determinados itens do corpo alheio é assustador.

O tempo era curto e Pikachu não dava sinais de entusiasmo. Prestes a encerrar o encontro, Valéria voltou a lamber o meu umbigo enquanto me masturbava. Gozei de medo e nos despedimos.

A VIDA PULSA

Trajando roupas escuras — minha predileção — misturei-me às penumbras noturnas do desértico Centro da Cidade e resgatei o Sucatão num ponto remoto da Rua Buenos Aires. Retornei à bucólica Tijuca.

Passava das 22h quando estacionei o carro na Praça Xavier de Brito. Caminhando em direção ao meu chalé, cruzo com uma ninfeta despudoradamente comprimida em uma malha de Crossfit, passeava com um cachorro. O meu combalido pênis saltou pressionando a minha calça de dentro para fora. Até que o tempo me castre definitivamente, a vida pulsa e o libertino vive. :!:

CACHÊ: R$ 420,00
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