CAMILA AZEVEDO - BONSUCESSO

Coloque aqui seus relatos antigos, de musas que encerraram carreira, mas marcaram a memória de quem as conheceu...
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Dante
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E lá estávamos nós — eu e o Sucatão — esse monumento ambulante à engenharia vencida, cujo motor provavelmente já deveria estar mumificado e exposto no Louvre, ao lado da Vênus de Milo e de um carburador do século XIX. Mas não. Ele se recusa a se aposentar. O Sucatão tem a obstinação de um velho ator shakespeariano que insiste em interpretar Hamlet aos 87 anos, com artrose avançada e um marcapasso que toca o Hino Nacional toda vez que dá ré.

Saí da bucólica Tijuca e, sem notar, já estava atravessando a Leopoldo Bulhões. Aquilo ali não é rua, é sentença. Manguinhos do lado, cheirando a esperança morta. A direção era Bonsucesso, mas o destino, eu sabia, era o infortúnio. Porque toda noite carioca que começa em Manguinhos e vai dar em Bonsucesso é uma série da Netflix com direito a algum tipo de revelação obscena.

Fui me guiando pelo GPS — que mais parecia um taxista indiano bêbado —, ele indicava a rota como se dissesse: “confia, vai dar certo”.

Ao ver as fotos de Camila, fui tragado por uma decisão infame, sacrílega, mas absolutamente inevitável. Era o meu pecado. Um pecado com nome, carne e dois seios que pareciam esculpidos por um anjo, desses que Deus expulsa do céu por excesso de talento erótico.

Era inevitável. Irrevogável. Eu precisava tocar aqueles seios pequenos, firmes.

Veja bem, eu sei que seios são só glândulas mamárias com marketing. Mas, depois dos cinquenta ou dos sessenta anos, o marketing funciona. E funciona muito. O problema é que, com a idade, o nosso foco se desloca. O cérebro vai ficando mais filósofo, o coração mais cardíaco e a nossa boca termina fazendo mais pelo prazer do que o pênis, que se aposenta precocemente e se recusa a trabalhar, mesmo em regime de home office.

Camila fica num prédio comercial discreto. Ao subir, o porteiro apenas me lançou um olhar. Um olhar cúmplice, quase indecente. Não disse palavra. Não precisava. Naquele instante, compreendi: ele já sabia. Sabia de mim, do meu desejo, da minha infâmia. E, ainda assim, não me julgou. Ou pior: me absolveu com o silêncio. Como se dissesse, sem dizer, que homens como eu — patéticos, vencidos, famintos de carne e afeto — são mais comuns do que se imagina. E que naquele edifício não se entra: se confessa.

Sem os óculos, eu sou um desastre óptico ambulante. Um cego moral, tateando pelos corredores como um pecador em busca do confessionário. Perambulava feito um idiota trôpego, um Mister Magoo dos trópicos sem a leveza da comédia. Havia algo de ridículo, de absolutamente ridículo na minha figura: um homem idoso, míope, suando diante das portas fechadas como quem implora por piedade. E então, como quem descobre a entrada do purgatório, eu a vi. Encontrei a porta. A porta da esperança. Ou da perdição, dependendo do ponto de vista e do grau de miopia.

A porta se abriu. Entrei como quem atravessa o umbral da salvação. Olhei para o lado — e ali estava ela. Uma ninfa. Uma aparição profana, trajando um conjunto de lingerie que parecia ter sido costurado por Lúcifer. Se eu não tivesse exercitado o autocontrole nas últimas décadas, teria gozado ali mesmo. Porque, sim, os velhos não padecem apenas da incontinência urinária. Há também a ejaculação precoce. A última vingança do corpo sobre o desejo.

Camila é muito simpática, falante, daquele tipo de pessoa que faria amizade com um cacto se ficasse tempo suficiente na mesma sala. Me conduziu ao quarto com uma gentileza quase terapêutica. E, o tempo todo, repetia — com uma doçura que beirava a compaixão — que eu não era um idoso. “Você não é velho”, dizia. “Imagina!” E quanto mais ela dizia, mais eu me sentia como uma versão frágil de Matusalém recém-saído de um lar para veteranos da Guerra do Vietnã.

Era como se, a cada elogio, ela estivesse tentando reanimar um defunto otimista. E eu, claro, sorria com a mesma expressão que tenho quando o proctologista tenta puxar assunto durante o exame.

Camila despiu-se com a teatralidade das devassas ingênuas. Saiu da roupa com a agilidade de quem salta de dentro de um bolo — nua, triunfante — numa festa-surpresa organizada pelo Diabo para o chefe do departamento. Diante dela, meus olhos ficaram estáticos, paralíticos, não como quem vê um corpo, mas como quem presencia um milagre indecente estampado na capa de uma revista que deveria ser censurada até para adultos.

Fiquei imóvel, pasmo, sem saber se tocava, se lambia ou se fugia em pânico. Optei por beijá-la. Foi então que conheci o vácuo. Um beijo sem língua, um beijo ausente, um beijo que não beijava. Tentei de novo. O mesmo vazio. A ausência da língua era uma metáfora da minha própria falência.

Perguntei, quase ofendido: “E a língua?”

Camila respondeu com a crueldade leve da juventude:

— A sua língua é muito afoita.

Ah, pobre Camila. Ela ainda não sabe, não compreende, não intui... Que a língua de um velho não é lascívia, é desespero. É uma tentativa, quase comovente, de compensar um pênis que entrou numa fase contemplativa da vida. Um pênis que, se pudesse falar, diria: “Boa sorte aí em cima. Eu tô fora.”

Com a minha perseverança, as coisas começaram a mudar. Os beijos tornaram-se profundos, lúbricos, quase sacrílegos. E então, enfim, a língua dela apareceu. Surgiu excitando-me, saciando-me, perdoando, por instantes breves, toda a minha velhice e a minha decadência.

Mas o que veio depois não foi amor, foi liturgia. Num gesto quase profano, puxei o vibrador de eletrochoque — um instrumento que mais parece saído de um ritual pagão — e o coloquei sobre o clitóris da menina. Sim, menina! Porque havia nela aquela juventude cruel que fere e goza ao mesmo tempo. Ela reagiu ao impacto.

Gemeu. Estremeceu. Contorceu-se como uma serpente em êxtase ou uma histérica em combustão. E então gozou. Gozou como quem confessa, como quem morre um pouco — e me fez cúmplice de um prazer que, para ela, talvez tenha sido apenas instinto. Para mim, foi sublimação.

Deixei que ela se recuperasse — o corpo ainda convulso, o peito arfando como quem e espera o castigo. E então, desci a boca até a sua vagina quente e úmida. O altar do escândalo. Camila recomeçou a se contorcer, a gemer como uma pecadora que reza e goza ao mesmo tempo. Era a oração da luxúria.

Levei meu dedo à entrada do seu cuzinho — aquele pequeno e indecente oráculo que separa o instinto da culpa — e ela estremeceu com mais força. Se incendiou. Ficou mais excitada, mais entregue, mais impura. Gozou novamente. E eu, já sem saber se era homem ou espectro, assisti àquela explosão como se fosse uma benção.

Pedi a Camila que me chupasse e ela me engoliu com a precisão de uma flautista de orquestra alemã. Mas ali não havia música, havia arte — a arte obscena que só as mulheres muito jovens, muito belas e inconscientes da própria habilidade conseguem exercer. E eu, imóvel, trêmulo, sentia-me não como homem, mas como relíquia — um objeto antigo, sagrado, sendo adorado pela última vez antes de ser esquecido.

— Ele tem dificuldade, né? — disse Camila, olhando para o meu combalido Pikachu com a ternura de quem olha um filho débil, abandonado pela natureza. Havia em seu olhar uma piedade maternal, como se visse ali não um pênis, mas um pequeno animal ferido, perdido entre as pernas de um homem vencido pela idade e pelas lembranças.

Camila, porém, não desistiu. Chupou-me com fome e gemia enquanto me chupava. Alternando o boquete com a masturbação, me fez ejacular um batalhão de espermatozoides inúteis para a reprodução da espécie humana. Um exército derrotado, lançado ao mundo sem missão, sem glória, sem descendência.

Conversamos e nos despedimos com a promessa de retorno. Tudo sem presa. Camila valoriza o momento. E eu voltarei. Saí do prédio e decidi ir até a Rio’s. Errei o caminho e me perdi como um velho com Alzheimer. Mas isso é outra história...
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Mensagem por Madruguinha »

BALAÇO SE ESCREVE COM B GRANDE OU B PEQUENO?

Escrever é, para muitos, um ato de coragem. Infelizmente, o pouco domínio sobre a língua eleva o receio de ser julgado e a vergonha de ser incompreendido. Convivo com gente que ocupa certa posição de destaque, que mal sabe o que é aposto e vocativo.

Hoje, aplicativos e ferramentas transcrevem áudios e constroem textos tanto para os não familiarizados, quanto para os preguiçosos. Uma pena. A escrita é, para mim, um sintoma de sobrevivência. Um desejo de registro em meu epitáfio. Todavia, é impossível escrever bem sem ler grandes escritores. Quem escreve é capaz de construir o seu próprio evangelho.

Quem me conhece há mais tempo sabe da minha admiração pela escrita do velho escriba que se chama Dante. Se o vi na vida uma ou duas vezes foi muito, e nem sequer trocamos cumprimentos. Visitando o seu site, descobri que a sua ideia de relatar encontros com garotas de programa deu-se após ler as obras de um outro velho genial e safado chamado Bukowski.

Eu, que antes de conhecer Dante, já conhecia Buk, afirmo que esta fora uma das ocasiões em que a criatura superou o criador. Crítico e apaixonado pelo que faz, suas crônicas reúnem comédia, tragédia e drama, de uma maneira que só os excelentes dramaturgos conseguem. Leitor assíduo das sua experiências, hoje consigo identificar uma boa garota graças ao entusiasmo notável em suas linhas.

Sem o mesmo brio, e com tantas outras limitações, acredito que nem se eu vivesse três séculos acumularia metade dos seus feitos. Porém, de vez em quando tenho a sorte e a oportunidade de conhecer uma das "suas tantas meninas", como no caso de Camila.


As coisas aconteciam com alguma explicação.

Meu capítulo com Camila começou há meses, quando vi seu anúncio no PA ainda com outro nome. Realizado o questionário - por sinal muito bem respondido - não lembro por quais motivos acabei não marcando na época. Temendo que ela me ignorasse, até pensei em mandar mensagem dessa vez com outro número, mas decidi arriscar e fui surpreendentemente tratado com a maior dignidade na nova abordagem.

Não lembro de outro pré atendimento com tamanha doçura, simpatia e boa vontade. Decidi que sairia com ela na semana seguinte, restando apenas saber o dia e o horário que as agendas batessem. Seu local em Bonsucesso, por ser desconhecido, foi motivo de temor. Por diversas vezes pensei em desistir, mas algo me impulsionava a viver isso. Marquei com ela e faltava somente escolher o meio que eu usaria para chegar ao seu local.

O perigo muitas vezes anda lado a lado com o tesão. Equalizam de tal forma, que a cabeça de baixo desconsidera totalmente as razões apontadas pela cabeça de cima. Antes de sair, veio em mente a ideia de pegar um carro de aplicativo pra minimizar o risco de entrar em uma rua errada ou ainda os perigos da tempestade que chegava da cor dos olhos castanhos de Camila, mas julguei tal opção como covarde.

Sinceramente, meu veículo pode não ser tão velho quanto o original Sucatão, mas desconfio que esteja no mesmo patamar de "erosão" dele, com o adendo de embaçar bastante quando a temperatura cai. Só mesmo uma aventura sexual pra me fazer sair em tais condições. Cruzei a Avenida Brasil de trânsito caótico e entrei por ruas totalmente desconhecidas até estacionar em frente ao seu AP, sem maiores sustos e com uma calmaria surpreendente.

Ao chegar, fui contemplado com uma chuva que até então já tinha parado, mas que fez questão de me molhar quando saí do velho carro de guerra. Lembrei dos tantos programas não sexuais que cancelamos e cancelaremos por conta do mau tempo e achei graça. Abriguei-me embaixo de uma marquise aguardando brevemente o número do AP e a liberação da dama para subir.

Camilla me recebeu de lingerie preta e um baita sorrisão. A boca veio disponível para um beijo, mas por bobeira, optei por cumprimentá-la beijando o rosto. A verdade é que eu nunca sei direito o que fazer no primeiro momento frente a frente com uma mulher de tamanha beleza e carisma.

Magra de deliciosas curvas; cheirosa, hidratada e perfumada, limito-me a descrevê-la desse modo, pois alguém com um vocabulário muito mais rico já o fez de uma maneira que eu sempre quis saber dantes. Seu jeito me fez entrar naquele quarto torcendo para que o tempo parasse. A música, a luz, a forma como conduziu as coisas dava à Camila uma espontaneidade diferente, dessas que parece que uma pessoa conhece a outra de outras vidas.

Após conversarmos sobre o meu vacilo na recepção, a menina me beijou com aquela entrega que, não sei vocês, sempre busco. Quando nossos lábios se tocaram, consenti que a difícil viagem àquele local havia valido a pena. Beijei e cheirei todas as partes de Camila, perdendo-me em suas costas, braços, seios, pernas, barriga e pescoço. Minha piroca, dura desde o primeiro toque, anseou ainda mais por um ninho para se abrigar.

Aquele verdadeiro labirinto da perdição tinha a temperatura exata para uma tarde/noite aprazível. Tirei a parte de baixo da sua lingerie e vi seu sexo molhado ostentando um "penteado" irresistível. Degustei a vulva de Camila como quem se deleitava no melhor dos manjares e, com acesso permitido, introduzi um dedo e ganhei uma amostra do vulcão interior que entrara em erupção. Acredite, forista sem fé, salvo por um desconforto muscular, quase fiquei melado apenas presenciando-a chegar lá nessa brincadeira.

Decidimos trocar os papéis e foi a vez dela me aplicar o oral. Com uma boca que parecia febril, o leite não ferveu por milagre. Utilizando uma técnica que alterava entre o boquete e a punheta, implorei para que parasse, iniciando nossos momentos de descontração. Não é de hoje que conversas cômicas sobre a minha fraqueza de desempenho têm sido uma arma para atenuar atuações débeis na cama. Geralmente, orgasmo comigo só se for o de risos.

Passados alguns minutos de mais beijos e carícias, Camila encapou o garoto com a boca e sentou no meu colo pra cavalgar com vontade. O forno embaixo era ainda mais abrasador do que o de cima. Mesmo com todo o meu empenho pra resistir, não demorei a pedir para trocarmos de posição, a fim de retardar a gozada. No ppmm, cenário que imaginei que me desse mais controle, não foi muito diferente. Algumas estocadas e percebi que não havia jeito de durar muito também naquelas condições. Desacoplei, respirei fundo e fiquei alisando seu corpo sedoso enquanto conversávamos curiosidades.

Refletindo, aceitei que estar perto da boca e do corpo de Camila é como ter de volta um tesão de adolescente. Não tendo mais pra onde correr, encaixamos uma transa de ladinho onde ejaculei meus miseráveis herdeiros sem maiores trabalhos. Ainda que houvesse tempo para mais, duvidei que conseguiria ter meu membro ressuscitado pós assepsia. Doce engano. "Levanta e anda!" — disse a boca de Camila sem precisar falar nada.

Leve, alegre e com a mesma disposição de antes, Camila continuou seu show de atuação nada forçado. Quando pensei em pedir uma cavalgada invertida, leu minha mente e galopou dos nossos corpos suarem. Na posição de quatro, executou uma imagem que, excluindo o coadjuvante da cena, merecia um quadro. Posicionada uma almofada sob o seu bumbum, finalizamos numa evolução de frango assado para um ppmm, onde gozamos no mesmo take.

O tempo que era pra ter parado, decolou como foguete. Enquanto me arrumava pra partir, proseamos e pude conhecer um pouco mais da menina por trás da profissional. Inteligente, de bons gostos, sociável. Dessas que se o sexo, por culpa nossa, não for dos melhores, a cia dificilmente não será.


Depois da última noite de chuva.

Despedi-me da garota que durante o encontro me chamava de gatão e ganhei as ruas de alma leve. No GPS, tracei o caminho que mais rapidamente me deixasse na mesma Avenida Brasil da ida. Não que ela seja sinônimo de segurança ou salvação para os perdidos, longe disso. Todavia, é algo mais familiar e teoricamente rápido para quem já tinha cumprido a missão da noite.

Antes de acessá-la, num semáforo cujo a demora para abrir era a mesma que eu queria ter no leito de luxúria, ouço estampidos fortes de artilharia. Pedestres assustados e motoristas engatando uma ré sem espaço para o retorno ditavam o desespero. Dentro do carro, fiquei na dúvida entre continuar nele ou abandoná-lo e correr para um lugar mais longe. Imaginei minha foto ensanguentada no Jornal O Povo e as explicações que meu irmão precisaria dar sobre o que eu estava fazendo ali, num lugar que não frequento nem para trabalhar, para a nossa amada mãe que com certeza lhe perguntaria.

A alta carga de adrenalina fez-me sentir dor de cabeça instantâneamente. Não reclamei dela, estava vivo e ela era certamente menor do que a dor de um balaço. Passado o sufoco, subi as últimas ruas e finalmente entrei na tão esperada pista. Agradeci a Deus com a culpa de quem duvida estar sendo ouvido e segui viagem.

O epitáfio ficou pra mais tarde; não vi sangue, notícias ou relato dos trausentes que comprovassem que realmente a coisa acontecera muito perto dali. Cheguei sem maiores problemas ao subúrbio, crente que o destino ainda me reserva muitas coisas boas a ler, algumas razoáveis a escrever e novas mulheres para conhecer.

No rádio do carro, minha FM preferida reproduzia I'M COMING HOME.

Agradeço ao velho escriba pela sua coragem de viver e a eterna graça em relatar, e também à Camila pelo excelente atendimento e hospitalidade.

Um abraço a quem leu e até a próxima!
"Não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar."
Arquiteto, Dante, PRELUDIO, Papai Noel, engjalim57, Digboy e Havi curtiram essa mensagem.
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