URUGUAIANA 24 - RUA URUGUAIANA, 24 - CENTRO

Deixa a vida te levar...
TÓPICO: URUGUAIANA 24
📍 Rua Uruguaiana, 24 — Centro
Avatar do usuário
Dante
Decano
Decano
Estatísticas
Relatos: 33
Mensagens: 62
Registrado em: Dom Jul 05, 2026 1:05 pm
Meus Relatos

😐 Neutro
Clara

Mensagem por Dante »

Fim de tarde. Após almoçar no bar Enchendo Linguiça, eu caminhava pelo Grajaú como quem anda pelo Central Park quando acontece o impensável: uma ereção. Sim, justo eu, que já não consigo lembrar onde deixei os óculos, descubro que meu corpo ainda insiste em produzir surpresas fisiológicas. Não perguntem o motivo — talvez uma falha elétrica no sistema nervoso, talvez um capricho da natureza, ou apenas uma vingança tardia da testosterona. Só a geriatria explica. Ali estava eu, rodeado por árvores centenárias, pensando em comida e colesterol, quando de repente parecia que a biologia resolveu me dar um tapa nas costas e dizer: “Calma, ainda não acabou”.

Eu não podia simplesmente ignorar aquela inesperada erupção da libido. Quer dizer, quando meu combalido pênis resolve pulsar, eu me sinto menos um homem e mais um arqueólogo, só que em vez de desenterrar fósseis de dez mil anos, eu descubro que ainda tenho sinais vitais. Pensei em procurar anúncios de acompanhantes — claro, o que poderia ser mais romântico do que negociar minutos de intimidade como se fosse uma reunião de negócios? — mas a digestão me lembrava que eu não teria energia para implorar por um espaço na agenda de alguém.

Então, em um gesto quase heroico, acenei para um táxi. “Largo da Carioca”, pedi, como se fosse o protagonista de um filme noir barato. Meu destino era a famosa “24”, aquele sobrado decadente onde o mofo disputa território com a poeira e ambos convivem em harmonia com prostitutas que parecem ter sobrevivido a várias quedas de civilizações. Era deprimente, claro. Mas, por algum motivo, me parecia o programa mais sensato. Quem sabe, a sorte me premiasse.

*****

É preciso admitir que quem frequenta regularmente a “24” não deveria se preocupar apenas com o trivial — HIV, sífilis, gonorreia, piolho e aquelas pequenas catástrofes venéreas que já fazem parte do percurso do libertino CLT com renda de até dois salários-mínimos. O verdadeiro check-up deveria incluir, acima de tudo, um eletroencefalograma. Porque, convenhamos, lesões cerebrais sutis, invisíveis, podem estar incentivando essa obstinação suicida disfarçada de lazer.

Eu jamais me arrisco naquele elevador que parece ter sido importado do filme “Coração Satânico”. Creio que nem o Mickey Rourke ou Robert De Niro se arriscariam. Por via das dúvidas, escolho as escadas. É exaustivo, sim, mas ao menos a morte por infarto me parece mais digna do que ser encontrado esmagado entre andares por uma geringonça com vocação para filme de terror B.

Subi até o quarto andar, mas abandonei um pulmão quando alcancei o terceiro para aliviar o peso da escalada. Foi inútil, pois já havia me encantado com uma morena que saltitava com os seios amostra no primeiro andar, é o ponto que sempre me parece mais animado. Clara seu nome. Resolvi chamá-la, num gesto que mesclava coragem e desespero, mas, como sempre acontece comigo, ela disse que estava esperando um cliente. E que seria rápido. Perguntou se eu aguardaria. Eu, claro, respondi que sim — como se tivesse alternativa. Afinal, minha vida inteira já é uma longa sala de espera, por que não acrescentar mais alguns minutos.

O cliente chegou. Um velhinho. Entrou arrastando os pés, a coluna curvada, com o ar de quem já sobreviveu a pelo menos três guerras, duas esposas e uma aposentadoria do INSS. Naquele instante, tive certeza de que a 24 deve ter convênio com algum asilo de ex-combatentes da região.

A menina correu para abraçá-lo com a ternura de uma neta, deu um selinho protocolar em sua boca e o puxou para dentro da cabine como quem arrasta um trapo usado como pano de chão. E eu, ali, assistindo à cena, não conseguia deixar de ouvir um pensamento ecoando na minha cabeça: “Eu não quero terminar assim.” Mas, claro, como em tudo na minha vida, já era tarde demais para ter esse tipo de lucidez moral.

*****

Foi rápido, quase um pit stop geriátrico. O velhinho saiu da cabine meio zonzo, com a expressão de quem esqueceu tanto a senha do banco quanto o próprio nome. A menina, solícita, o conduziu até as escadas como uma enfermeira dedicada. Em seguida, voltou e me olhou com uma objetividade cirúrgica:

— Você gosta de quê?

E eu, sem filtro, respondi:

— Boquete.

Não é que eu seja um homem de gostos refinados — é só que, sinceramente, não conseguiria gozar de outro jeito naquele pardieiro. Eu só queria eficiência.

*****

Entramos na baia. Na 24, sexo nunca vem sozinho: é sempre acompanhado por um funk ensurdecedor, como se o DJ tivesse sido contratado para competir com o gemido humano. Quando tudo terminasse, deveria haver um otorrino de plantão e uma cabine de audiometria. Porque ali você não perde apenas espermatozoides — perde também algumas frequências sonoras para sempre. É como um orgasmo patrocinado pela surdez progressiva.

Ela chupou, eu gozei, e pronto — fim da ópera. Saí da 24 com a estranha sensação de que minha vida sexual estava se transformando numa anedota mal contada. Na rua, me peguei pensando seriamente em importar uma daquelas bonecas eróticas japonesas. E não é que a ideia me pareceu razoável? Quer dizer, uma boneca não some correndo para atender outro cliente, não cobra por hora e, principalmente, não toca funk no volume máximo. No fundo, fiquei com a impressão incômoda de que ela poderia me fazer mais feliz. O que, evidentemente, diz muito sobre mim e muito pouco sobre o Japão.

Sincronizei os meus aparelhos auditivos (sim, eles não explodiram) com o celular e embarquei no metrô embalado pelas batidas da música...

FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD – Relax
Quem não tem mérito, tem raiva...
Dante curtiu esse relato.
| |
Avatar do usuário
Aston Martin
Estatísticas
Relatos: 2
Mensagens: 4
Registrado em: Sex Jul 24, 2026 8:17 pm
Meus Relatos

URUGUAIANA 24 - RUA URUGUAIANA, 24 - CENTRO

👎 Negativo
Daniele

Mensagem por Aston Martin »

Essa tem 1 ano e pouco ou talvez mais.

Loirinha Daniele na 24 primeiro andar. Foi super simpática mas com dinheiro na mão ela se transforma.

Até chupou legal sem camisinha mas na hora de fuder ficou cheia de não me toques. Comecei a comer e ela rapidinho começa a falar do tempo acabando. Caô. Mas pra não arrumar confusão acelerei, enchi a borracha de leite e vazei antes do tempo acabar. Roubada essa rata. Mas piteuzinha
Responder
🐺 Relatos parecidos — Libertinos também leram

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 0 visitante