A senhora tem certeza que quer ficar aqui?! Esse lugar é perigoso, deserto. Ainda mais agora, a noite.
– Tenho, moço.
– Eu deixo a senhora mais na frente, ali, onde é mais iluminado. Às vezes fica até uma viatura ali por perto, é mais seguro pra senhora.
– Não não, é aqui mesmo. Deu 27, né?
– Isso. A senhora tem certeza?!
– Tenho, pode deixar. Aqui, 30. Pode ficar com o troco. Brigada pela preocupação, viu?!
– Tá bom. Toma cuidado. Não fica dando mole por aqui não.
Usando um sobretudo quando fez sinal para o táxi por volta das 23 horas daquela quarta feira, o taxista não poderia imaginar que dar mole era justamente o que Daiana fora fazer naquele lugar escuro, deserto e perigoso, um dos principais pontos de prostituição do Rio de Janeiro.
Quando o táxi chegava ao destino indicado por ela, uma das sinistras ruas no entorno do maior parque público da cidade, Daiana viu algumas prostitutas num trecho da via e por isso decidiu ficar num ponto mais afastado, onde haveria “menos concorrência” e menos chances de problemas.
Casada há anos, nunca fora fiel ao seu hoje marido, nem na época em que só namoravam e perdeu a conta de com quantos homens o traiu ao longo do relacionamento. E agora, transcorrida mais de uma década de infidelidade, finalmente criara coragem para realizar aquela que era a sua maior fantasia e a maior loucura que já fizera: ser puta por uma noite.
Logo que o táxi se afastou, rapidamente tirou o sobretudo e o guardou dentro da bolsa grande que carregava, expondo a blusa curta, que a deixava de barriga de fora e a minissaia que vestia por baixo. Junto da maquiagem carregada e mascando um chiclete, o perfil de dama da noite estava completo.
Embora a vida toda tivesse aprontado e o perigo a excitasse, jamais havia se arriscado assim. Por isso sua adrenalina estava a mil. Aproveitando uma raríssima noite livre, enquanto o marido fazia uma rápida viagem a trabalho, colocou em prática a ideia ousada.
Sabia que pra satisfazer o fetiche não precisava se expor tanto, porém, queria viver a sensação de ser uma profissional do sexo na sua forma mais tradicional. Uma puta raiz, como se imaginava. Foi assim que, passado algum tempo "fazendo ponto", um carro parou, o motorista desceu o vidro e perguntou:
– Tá disponível?
– Tô.
– Quanto custa o programa?
– 40. Sem anal.
– Quanto custa só o boquete?
– 20.
– Eu quero só a chupada, aqui no carro mesmo. Quanto tempo?
– 10 minutos. Ou até você gozar.
– Ok.
– Só aceito dinheiro, tá?!
– Tá. Entra aí.
Daiana entrou no carro e desabotoou-lhe a calça jeans, abaixou o zíper e engoliu o pau do homem. Enquanto o chupava e ele lhe segurava o cabelo, um tesão absurdo tomava conta do seu corpo inteiro. Pensar que o desconhecido sequer sonhava que ela era uma mulher casada e que só fazia aquilo por puro prazer tornava tudo mais excitante.
Não demorou para o sujeito gozar na sua boca. Pagamento feito, ele a deixou no lugar onde a encontrara e seguiu adiante. De volta a rua, Daiana continuou aguardando pelo cliente seguinte, que demorou a aparecer. Quando já estava quase desistindo e indo embora, outro carro então parou, um homem a abordou e combinaram o valor de um programa completo num motel barato localizado próximo dali. Ela teria finalmente a experiência completa que tanto idealizara.
O motel era um desses lugares decadentes, mal iluminado e cheirando a mofo. Do carpete da recepção aos móveis dos quartos, tudo naquele pulgueiro era velho. Todavia, nada disso importava pra Daiana. Aliás, pelo contrário, alimentava sua fantasia. Quanto pior, melhor. Depois que o cliente tomou uma chuveirada rápida, entrou no banheiro sujo e quase escuro e fez sua higiene com os lenços umedecidos que trouxera, uma vez que só havia uma toalha para banho, usada pelo homem.
Retornou ao quarto só com a lingerie que comprara especialmente pra ocasião e, sob o colchão infestado de ácaros e o lençol manchado e rasgado, trepou como uma legítima dama da noite, um verdadeiro instrumento do prazer alheio. Ao terminarem, limpou-se, o cliente lhe entregou o dinheiro e ofereceu-lhe um lanche, que ela educadamente recusou, porque não comeria nada preparado naquele pardieiro.
Terminado o período do programa, o homem se vestiu e saiu, deixando Daiana lá, deitada nua no tecido puído, refletindo sobre a noite indescritível que vivera. Pensou ainda em retornar “ao ponto” e tentar sair com mais alguém, no entanto, já era alta madrugada e precisava ir trabalhar dali a algumas horas.
Pegou um táxi em frente ao hotel e foi pra casa, descendo algumas ruas antes. Após o banho, contou o dinheiro que havia ganho na sua atividade noturna e decidiu comprar um presente para o marido. Afinal, seu coração era dele. Sempre fora. Só a boceta que não.
Dama noturna
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