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CARINE PAIVA - TIJUCA - RJ

Enviado: Dom Ago 02, 2026 12:20 pm
por Dante
Sincronizei meus aparelhos auditivos com o celular e iniciei a caminhada.

BIG IN JAPAN

O endereço ficava na Tijuca, e eu supus que fosse mais perto do que realmente era. A caminhada se estendeu além do previsto, atravessando regiões mais inóspitas da bucólica Tijuca, em direção à Usina. Não reclamei. O céu estava nublado, a temperatura agradável, a música embalava o impacto dos meus tênis contra as calçadas. A endorfina invadiu meu cérebro e me senti extraordinariamente feliz.

No trajeto, atravessei cenários que dialogavam com a minha própria história: a casa de uma ex-namorada por quem fui profundamente apaixonado, a rua onde viveu uma bisavó, a pracinha das brincadeiras de infância. Tudo isso se perdeu no tempo, mas eu ainda estava ali, avançando, não mais à procura dos gestos inocentes, e sim do pecado irreversível e irresistível.

Finalmente alcancei a rua e o prédio que a menina havia me informado pelo WhatsApp. Avisei que tinha chegado. Tudo rápido. Ela autorizou minha subida. O prédio era residencial, com portaria, e o elevador funcionava por meio de um código peculiar, específico para cada andar.

*****

Toquei a campainha. A porta se abriu. Entrei. E ela surgiu. Aqui, uma pausa necessária. O que vi foi uma mulher cuja presença desorganizava o ambiente. Quando bati os olhos na garota, senti um impacto raro, como se tivesse levado um tapa no rosto, como se precisasse despertar para conseguir enxergar a imagem quase divina à minha frente. Carine me seduziu no primeiro sorriso. Isso é raro. Raríssimo. O que vi foi uma mulher linda, de beleza original e intensa, tão sexy que beirava o indecente. Foi um daqueles instantes em que a paixão chega de súbito. Carine exalava sexo.

Sou um homem dos anos 80, tempo em que minha juventude explodiu em hormônios libidinosos. Só desejo quando me apaixono. E ali, diante de Carine, eu estava apaixonado. Ela me conduziu pelos quartos, enquanto gatos me observavam com desconfiança.

*****

Sentei-me na cama e Carine se despiu da lingerie cor-de-rosa que tentava, em vão, disfarçar a voluptuosidade do seu corpo. Que bunda. A bunda de Carine não é apenas uma parte anatômica: é manchete, é capa de revista. Ela avançou para me beijar e nossas bocas se encontraram em lábios, línguas e saliva. Um beijo verdadeiro, desses que só mulheres verdadeiras sabem oferecer. Uma viagem. Entrei em delírio, perdido e, ao mesmo tempo, completamente encontrado.

Pedi que se deitasse. Segurei seus pés e os beijei como quem reverencia uma deusa. Carine é o pecado, é o pacto com a luxúria, mais símbolo do que mulher. Saquei meu aparelhinho de eletrochoque e o posicionei sobre o clitóris pulsante. Ela se contorceu, gemeu, enrijeceu-se e, de repente, explodiu em um espetáculo de squirting. Loucura. Um clímax insano. Carine gozava com a alma.

A energia foi tamanha que meus aparelhos auditivos se conectaram ao celular sem que eu fizesse qualquer gesto. As batidas colidiram com meus tímpanos cansados e o som me excitou ainda mais.

RUN AWAY

— Fuja, fuja se quer sobreviver — dizia a letra. Tarde demais. Eu não queria mais sair dali. Eu só queria aquela mulher, para sempre, pela eternidade. Voltamos a nos beijar. Carine é uma vampira que nos abduz.

Ela veio por cima de mim, esfregando-se como quem tenta arrancar a própria pele. Lambeu meu tórax, meu abdômen, sugou meu saco e abocanhou meu combalido pênis. Chupou-me como uma criança saboreando um picolé num dia de calor extremo. Estava tão bom que o mundo podia acabar: eu já me dissolvia em todos os deleites possíveis. Carine é um vício.

Ela prepara o terreno e retorna por cima de mim. Encaixa meu pequeno membro em sua vagina escaldante, úmida. De costas, exibe aquela bunda inacreditável, perfeita — um mapa-múndi da perdição. Rebola, quica, roça. Gonzaguinha canta nos meus ouvidos: “não dá mais pra segurar, explode coração”. Meus espermatozoides saltam em euforia coletiva para dentro do saco plástico que chamamos de preservativo. Morrem todos.

Conversamos. Eu olhava para Carine sempre como se fosse a primeira vez, como se ela estivesse, a cada instante, abrindo a porta para minha estreia naquele mundo. Eu estava inebriado. Uma mulher diante da qual qualquer vocabulário parecia insuficiente. O melhor de tudo: gosta de swing — e eu há tanto tempo sem uma companheira para frequentar esse território que tanto aprecio.

O tempo acabou. O tempo sempre acaba, embora raramente saibamos quando ou como. Com Carine, meu tempo terminou bem, mas eu não queria ir embora. Eu queria voltar. Restou a despedida, acompanhada de uma promessa de retorno.

Ganhei as ruas. Sincronizei novamente meus aparelhos auditivos com o celular. Deixei que a música me possuísse. Caminhei, cada vez mais distante de Carine. As ruas me envolveram, a tarde me engoliu. Desapareci em algum horizonte. Saciado. Feliz.

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