PIZZA DE DIAZEPAM
Enviado: Dom Set 13, 2026 9:39 am
Havia recém-terminado, da forma mais dolorida possível, o relacionamento com a única mulher que amei de verdade na vida. Embora na terapia buscasse explicações para o acontecimento, fui orientado a simplesmente viver novas experiências, pois nada melhor do que conhecer outras pessoas e ambientes para obter as respostas que eu queria, ainda que de maneira torta.
Contrariado, obedeci e baixei novamente os aplicativos de relacionamento que já conhecia, mas que nos últimos tempos não fazia sentido manter disponíveis. Colecionei matches e virei um pequeno predador. Não fazia distinções entre idade, tipo físico, grau de instrução ou estado civil. Tendo uma boca para beijar e uma buceta para meter, já valia. Estava na pista para negócio, como falavam no início dos anos 2000.
Numa dessas caças, combinei com uma menina dois anos mais nova; ruiva, com o rosto bonito e bem acima do peso, a quem vou chamar de Patrícia. Teclamos, trocamos contato e, mesmo não curtindo seu tipo de abordagem — que pedia as tais "fotos de agora" —, dei corda, pois, como já relatado acima, naquela altura da vida só me importava foder. Espontânea e, a princípio, querendo o mesmo que eu, marcamos de nos conhecer no dia seguinte, na casa dela, que ficava a uns 20 minutos de distância da minha, caso o trânsito estivesse bom.
Lembro de ter ficado impressionado quando soube da sua rotina de morar sozinha e ter que dar conta de trabalhar em dois empregos durante a semana. A moça, que acordava às 5h da manhã e só retornava ao lar perto das 20h, marcou comigo às 21h. Com aula cedo na faculdade na manhã seguinte, perguntei se poderia dormir lá para não precisar entrar muito tarde na comunidade onde eu morava, e ela aceitou numa boa. Levei na mochila, além do material de estudo, objetos pessoais e mudas de roupa, e rumei para o cafofo de Patrícia.
Chegando lá, fui recebido com um sorriso no rosto pela garota em sua humilde quitinete que, por falta de tempo ou por desleixo da inquilina, não se encontrava limpa e organizada. Uma sala com cozinha americana e um banheiro constituíam o lar da habitante, que não tinha animais de estimação. De olfato apurado, senti cheiro de cigarro e observei cinzeiros espalhados. Aguardei um beijo com gosto de fumo e o recebi. Porém, com a ajuda de drops, logo o hálito melhorou e aquele gosto não tardou a desaparecer. A propósito, como beijava bem a menina! Passaram-se não sei quantos anos e ainda lembro da sensação e do quanto me deixou duro só com o poder dos lábios.
Ela de baby doll, eu de bermuda e camiseta, ficamos trocando carícias sem nos despirmos, enquanto assistíamos a um filme na Netflix e aguardávamos a pizza que ela havia encomendado. Ela se virava sozinha e eu era o convidado. O título do filme — que infelizmente não consigo lembrar — e o sabor da pizza (portuguesa) ficaram todos a cargo dela. No leito, envoltos em múltiplas roupas de cama, o tesão nos abrasava, mas alguma coisa em mim, nela, ou nos dois, nos coibia de ficarmos nus. Timidez, vergonha pelo excesso de peso, ausência de pressa? Acho que de tudo um pouco. Eu não esperava um belo corpo e sabia que tínhamos tempo de sobra, pois tinha o OK para passar a noite lá. Só não contava que a pizza, que chegou de forma expressa, iria atrapalhar nossos planos.
De tão rápida, parecia que a pizzaria ficava ali, no próprio vilarejo onde Patrícia morava. Atendi o motoboy, fiz o pagamento e, novamente contando que daria tempo para, quem sabe, transar mais de uma vez, cometi o erro de sugerir forrarmos nossas barrigas e deixarmos o que havíamos começado para depois. Mesmo longe dos meus sabores preferidos, ajudei-a a derrubar a pizza rapidamente, não restando nada para cachorro de rua nem para o café da manhã. Voltamos para a cama para assistir ao restante do filme e também para respeitar o processo de digestão.
Não se passaram 10 minutos e vejo Patrícia apoiar a cabeça no meu peito. Os olhos, antes compenetrados na tela, começam a ameaçar fechar. Noto isso e volto a beijá-la na boca e no pescoço, na tentativa de acender uma faísca nela, mas a batalha contra o sono já tinha vencedor e perdedor. Lembrei da sua rotina de acordar cedo e trabalhar em dois empregos e não tive coragem de acordá-la. Movi a cabeça pesada dela do meu tronco para o travesseiro e a cobri. Em dado momento, quando a vejo se mexer para posicionar-se de lado, tentei despertá-la do sono abraçando-a e formando uma conchinha, em mais uma tentativa vã. Desisti e fui dormir com o saco doendo.
Para piorar, tomada por um coma profundo, esqueceu completamente que dividia a cama comigo e esparramou-se, deixando-me restrito a um espaço onde eu mal podia me mexer. Ela conseguiu dormir e eu fiquei só na tentativa. Entre apagar e acordar várias vezes, se completei 30 minutos diretos de sono, foi muito.
Quando o despertador dela tocou às 15 para as 5h, já me encontrou de pé, arrumado e pronto para ir embora. Desculpou-se pelo ocorrido, abriu a porta e disse que ainda iria tirar mais uns minutos de cochilo antes de acordar em definitivo. No carro, desistindo da aula e com a rota desenhada para casa, recebi uma mensagem dela pedindo desculpas novamente e lamentando que provavelmente eu não iria procurá-la de novo depois do episódio. Estava certa.
Contrariado, obedeci e baixei novamente os aplicativos de relacionamento que já conhecia, mas que nos últimos tempos não fazia sentido manter disponíveis. Colecionei matches e virei um pequeno predador. Não fazia distinções entre idade, tipo físico, grau de instrução ou estado civil. Tendo uma boca para beijar e uma buceta para meter, já valia. Estava na pista para negócio, como falavam no início dos anos 2000.
Numa dessas caças, combinei com uma menina dois anos mais nova; ruiva, com o rosto bonito e bem acima do peso, a quem vou chamar de Patrícia. Teclamos, trocamos contato e, mesmo não curtindo seu tipo de abordagem — que pedia as tais "fotos de agora" —, dei corda, pois, como já relatado acima, naquela altura da vida só me importava foder. Espontânea e, a princípio, querendo o mesmo que eu, marcamos de nos conhecer no dia seguinte, na casa dela, que ficava a uns 20 minutos de distância da minha, caso o trânsito estivesse bom.
Lembro de ter ficado impressionado quando soube da sua rotina de morar sozinha e ter que dar conta de trabalhar em dois empregos durante a semana. A moça, que acordava às 5h da manhã e só retornava ao lar perto das 20h, marcou comigo às 21h. Com aula cedo na faculdade na manhã seguinte, perguntei se poderia dormir lá para não precisar entrar muito tarde na comunidade onde eu morava, e ela aceitou numa boa. Levei na mochila, além do material de estudo, objetos pessoais e mudas de roupa, e rumei para o cafofo de Patrícia.
Chegando lá, fui recebido com um sorriso no rosto pela garota em sua humilde quitinete que, por falta de tempo ou por desleixo da inquilina, não se encontrava limpa e organizada. Uma sala com cozinha americana e um banheiro constituíam o lar da habitante, que não tinha animais de estimação. De olfato apurado, senti cheiro de cigarro e observei cinzeiros espalhados. Aguardei um beijo com gosto de fumo e o recebi. Porém, com a ajuda de drops, logo o hálito melhorou e aquele gosto não tardou a desaparecer. A propósito, como beijava bem a menina! Passaram-se não sei quantos anos e ainda lembro da sensação e do quanto me deixou duro só com o poder dos lábios.
Ela de baby doll, eu de bermuda e camiseta, ficamos trocando carícias sem nos despirmos, enquanto assistíamos a um filme na Netflix e aguardávamos a pizza que ela havia encomendado. Ela se virava sozinha e eu era o convidado. O título do filme — que infelizmente não consigo lembrar — e o sabor da pizza (portuguesa) ficaram todos a cargo dela. No leito, envoltos em múltiplas roupas de cama, o tesão nos abrasava, mas alguma coisa em mim, nela, ou nos dois, nos coibia de ficarmos nus. Timidez, vergonha pelo excesso de peso, ausência de pressa? Acho que de tudo um pouco. Eu não esperava um belo corpo e sabia que tínhamos tempo de sobra, pois tinha o OK para passar a noite lá. Só não contava que a pizza, que chegou de forma expressa, iria atrapalhar nossos planos.
De tão rápida, parecia que a pizzaria ficava ali, no próprio vilarejo onde Patrícia morava. Atendi o motoboy, fiz o pagamento e, novamente contando que daria tempo para, quem sabe, transar mais de uma vez, cometi o erro de sugerir forrarmos nossas barrigas e deixarmos o que havíamos começado para depois. Mesmo longe dos meus sabores preferidos, ajudei-a a derrubar a pizza rapidamente, não restando nada para cachorro de rua nem para o café da manhã. Voltamos para a cama para assistir ao restante do filme e também para respeitar o processo de digestão.
Não se passaram 10 minutos e vejo Patrícia apoiar a cabeça no meu peito. Os olhos, antes compenetrados na tela, começam a ameaçar fechar. Noto isso e volto a beijá-la na boca e no pescoço, na tentativa de acender uma faísca nela, mas a batalha contra o sono já tinha vencedor e perdedor. Lembrei da sua rotina de acordar cedo e trabalhar em dois empregos e não tive coragem de acordá-la. Movi a cabeça pesada dela do meu tronco para o travesseiro e a cobri. Em dado momento, quando a vejo se mexer para posicionar-se de lado, tentei despertá-la do sono abraçando-a e formando uma conchinha, em mais uma tentativa vã. Desisti e fui dormir com o saco doendo.
Para piorar, tomada por um coma profundo, esqueceu completamente que dividia a cama comigo e esparramou-se, deixando-me restrito a um espaço onde eu mal podia me mexer. Ela conseguiu dormir e eu fiquei só na tentativa. Entre apagar e acordar várias vezes, se completei 30 minutos diretos de sono, foi muito.
Quando o despertador dela tocou às 15 para as 5h, já me encontrou de pé, arrumado e pronto para ir embora. Desculpou-se pelo ocorrido, abriu a porta e disse que ainda iria tirar mais uns minutos de cochilo antes de acordar em definitivo. No carro, desistindo da aula e com a rota desenhada para casa, recebi uma mensagem dela pedindo desculpas novamente e lamentando que provavelmente eu não iria procurá-la de novo depois do episódio. Estava certa.