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AMORA AMORIM - (21) 97988-1837 - CENTRO

Enviado: Ter Jul 14, 2026 12:02 pm
por Dante
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ECHO & THE BUNNYMEN

Estou velho. Minha trilha sonora é antiga. Às vezes tento me iludir, imaginar que não aparento o que sou agora, mas então surge alguma criatura qualquer que tenta adivinhar minha idade — e acerta. Toda a ilusão despenca ladeira abaixo. Sorte dessa pessoa que eu não carregue nenhum objeto cortante. A velhice é um epílogo que emerge depois de muitos capítulos vividos. Olho para trás e vejo tantos “Eus” diferentes, e este momento parece ser justamente aquele que conduz à reconciliação de todos eles.


O que o início do meu crepúsculo mais evidencia é a queda brusca da libido e a minha face antissocial. A cada dia vou me transformando mais em Mister Spock do que em Casanova. O desejo carnal vai cedendo lugar ao prazer intelectual. O mundo torna-se mais fascinante do que apaixonante. Talvez seja apenas a substituição natural de prioridades para quem viveu as fases hormonais na hora certa. Mas há um descompasso: penso leve como um jovem, porém o corpo já não possui asas — agora ele é âncora.


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Dirigia em direção ao Centro enquanto os pensamentos rodopiavam como um filósofo de botequim, e o Sucatão rompia a poeira negra do asfalto. Estacionei próximo ao quartel da PM, na rua Evaristo da Veiga.

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Não posso me queixar. Quando observo garotos inibidos e homens anônimos descrevendo um encontro sexual como se redigissem um relatório de autópsia para o IML, estão em busca de números, não de aventuras. Sinto orgulho por possuir um olhar mais intenso sobre a existência. Enquanto alguns enxergam o mundo como planilha em preto e branco, eu vejo uma paisagem em cores. E isso é bom.

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SET ME FREE

Sincronizei meus aparelhos auditivos com o celular (sim, sou surdo) e uma batida despertou meus tímpanos cansados, provocando em mim a fantasia recorrente de subir a escadaria do Teatro Municipal e executar ali a coreografia da libertação. A desconfiança de que eu acabaria preso por atentado ao pudor — ou diagnosticado como vítima de um surto senil — me impediu de levar a cena adiante.

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O prédio 33 da Rua Treze de Maio se assemelha cada vez mais ao cenário de “O Bebê de Rosemary”. Perguntei ao porteiro como chegar ao quinto andar e ele praticamente desenhou um mapa cartográfico para que eu pudesse encontrar o único elevador funcionando. Segui a rota com receio de estar atravessando a fronteira do México com os EUA. Funcionou: encontrei o elevador, embarquei, apertei o botão e a porta se fechou rangendo os piores presságios do universo.

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A entrada da sala é estilizada, como se fosse uma armação de bambu. Demorei a localizar a campainha; fiquei como um Mister Magoo tateando a parede, suspeitando que fosse algum dispositivo embutido. Meu dedo encontrou um botão diferente e apertei. Um som ecoou ao longe.

O portal de bambu se abriu, e entrei com a certeza de que Juba & Lula me receberiam como convidado para um novo episódio de “Armação Ilimitada”. Não foi o caso. Uma recepcionista eficiente e de poucas palavras perguntou se eu preferia pagar antes ou depois do coito, entregou-me uma toalha, conduziu-me ao quarto e apontou onde ficava o banheiro.

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Joguei água na minha combalida carcaça e, quando saí do banheiro, já não sabia mais onde ficava meu quarto no meio de tantas portas. Seria demência? A recepcionista havia sumido junto com a minha memória e eu, de toalha, parado no corredor com a mesma expressão perdida do John Travolta confuso naquele meme. Depois de testar algumas maçanetas trancadas, encontrei o quarto como um idoso aliviado por finalmente conseguir voltar ao asilo.

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Meu Deus — foi o que meu pensamento sussurrou quando meus olhos se depararam com Amora vestida numa lingerie transparente, me esperando na cama. Linda. Meu queixo caiu e quase pude ouvir o ruído quando ele se estatelou no chão do pequeno aposento. Que mulher. Totalmente demais. De tirar o fôlego. E os seios? Nossa. Eu só pensava em mamar aqueles seios como um recém-nascido faminto assim que os vi.

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Amora estava recostada, o corpo entregue às sombras azuladas do quarto, como se a tudo tivesse sido moldado para aquela cena. A luz acariciava sua pele morena, revelando cada curva como um segredo que recusava ser sussurrado. Havia nela uma calma perigosa, o silêncio de quem sabe que domina o ambiente só respirando.

A cama parecia um altar improvisado. Os lençóis enrugados denunciavam uma história que ninguém contou, e ela era a protagonista inevitável. As costas desenhavam uma linha suave até os quadris, que se arqueavam num ritmo lento e devastador, como se o próprio corpo falasse uma língua antiga — aquela que não se aprende, apenas se sente.

É uma mulher feita de desejo e serenidade. Não precisava de palavras: bastava a forma como o corpo repousava, oferecido ao mundo e ao pecado, para incendiar a imaginação. O quarto parecia pequeno demais para conter o calor daquela presença. E naquele instante, nada existia além dela e do convite silencioso do seu magnetismo incomparável.

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Amora geme enquanto aplica o boquete. Adoro isso. Beijos. Muitos beijos. Língua, saliva, lábios. Bocas emboladas em beijos reais. Como é raro. Não é difícil o coração ficar abalado por uma morena bonita como Amora, a menina é uma perfeição. Ousei pensar em dobrar o período, mas o problema é que eu não conseguiria fazer mais nada no segundo tempo.

A moça me chupava incansável. Eu mamei seus peitos como se não houvesse amanhã ou período de sessenta minutos. Ela gemia. Puxei a ferramenta de eletrochoque e coloquei sobre seu clitóris, a menina se contorceu com o impacto, gemeu alto, o corpo tremia, estremecia como se estivesse em convulsão. Gozou forte.

Mais beijos, mais boquete, mais gemidos. Ela veio por cima e montou sobre o meu tronco. Quicou, rebolou, esfregou. Cansou. Perguntou-me se eu queria mudar de posição, e pensei em responder que precisaria de um par de muletas e uma cadeira de rodas para acompanhar a vitalidade dela. Mesmo assim, tentei. Ela ficou de quatro e aquela visão era um abismo do qual eu jamais voltaria igual.

Amora voltou a me chupar, lambeu meu saco, apertou, alternou o boquete com a punheta. Explodi. Creio que alguns dos meus espermatozoides devam estar em órbita neste exato instante.

Despedi-me com a promessa de retorno.

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Anoitecia quando ganhei as ruas. Fome. Agora era a fome do estômago. Sentei-me no Bar do Chapolim e pedi uma pizza que, quando chegou, parecia um banquete olímpico. Devorei. Paguei a conta e fui caminhando para resgatar o Sucatão. Meus sentidos estavam anestesiados. Eu vivo para além de mim, num personagem que se mistura comigo. Quando não sei quem sou, sei quem ele é.

O nome? Chamam-no de Dante — e juntos, dançamos sobre o fogo.

A VIEW TO A KILL