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BAR DO ZEZÉ - ESQUINA DA ÁLVARO ALVIM - CENTRO

Enviado: Ter Jul 21, 2026 2:18 am
por Dante
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O Bar do Zezé... Fiquei surpreso quando confirmei que não há nenhum tópico sobre este amado e renomado recanto da Rua Álvaro Alvim, que se tornou um puxadinho de libertinos de todos os cantos. Porém, não se pode falar do Bar do Zezé sem citar o estimado forista Wolfgang. Foi ele que tornou o Zezé um reduto para os libertinos a qualquer hora do dia ou da noite, insistiu com sua presença naquele breve território boêmio. Quantas vezes o encontrei com seu inseparável copinho de cerveja. Sozinho, acompanhado, sob sol, sob chuva, o nosso Wolf estava lá, firme como um busto em bronze, homenageando o melhor da vida. Agora, sou eu que o homenageio.

Como muitos escritores, cansa-me falar muito; beiro um comportamento antissocial, cerveja me enjoa (sou mais chegado ao uísque) e tenho tendência à melancolia. No Zezé, a minha rabugice desaparece, sinto-me bem. Aquela interação descompromissada com outros foristas serve como renovação do espírito. Ver o Wolf como um grande irmão de todos me faz admirá-lo. Sem o Wolf, não existiria o Zezé para mim. Ele é o grande *causeur*, como se diz em francês, é o boêmio em seu estado mais puro. Em todos esses anos de fórum, nunca me deparei com um boêmio tão original como o Wolf; ele faz parte da cepa mais genuína da classe. Eu me considero um boêmio, mas sou de outro tipo. Não tenho a legitimidade do Wolf, carrego essas tendências antissociais que citei e estou longe de ser um bom papo.

Não à toa, as resenhas no Bar do Zezé foram um absoluto sucesso. Não sou de frequentá-lo muito; estou cada vez mais recluso na bucólica Tijuca, mas sei que é o local onde posso encontrar os melhores abraços.

Ontem, no final da tarde, após um encontro magnífico com uma mulher maravilhosa, fui andar à esmo pelo Centro. Caminhei até a Praça Tiradentes e decidi visitar o Real Gabinete de Leitura, onde há tempos eu não pisava. O Real Gabinete é como uma igreja para mim, é onde recito minhas orações para Machado de Assis, gênio que o frequentava com assiduidade e que lá escreveu parte de sua obra. É um lugar de paz e de adoração aos livros. Saí um pouco mais leve da visita, mas ainda sem rumo.

Não nego, estou em uma fase de certo desencanto, de desânimo mesmo, mas tento resistir às ondas de erosão da alma, agarrando-me às boias que flutuam no meio deste oceano obscuro que é a vida. Quando alcancei o Largo da Carioca, lembrei-me, não de uma boia, mas de uma ilha que acolhe com carinho náufragos como eu: o Bar do Zezé.

Revi amigos. Fui abraçado, saudado, beijado... Como não sentir um pequeno pedacinho da felicidade diante de tudo isso? Se a alma do homem é intangível, no Bar do Zezé ela se manifesta pelo amor daqueles que o frequentam. Sempre que passo por lá, lembro-me de um filme especial de Hugo Carvana, chama-se *Bar Esperança*. Assistam.

Aldir Blanc, meu vizinho tijucano, dizia que "o boteco é o último reduto da palavra", e, no Zezé, é o Wolf quem carrega a palavra como quem leva a Tocha Olímpica, um farol que nos ajuda a aportar em segurança.

Não seria exagero afirmar que o Bar do Zezé se tornou a sede física da boemia. É onde o virtual se torna real, onde as pessoas ganham pele, textura, rosto e calor humano. No Bar do Zezé, o que prevalece é uma anarquia deliciosa, onde todos se realizam na admiração mútua.

Um pouco antes de me despedir, duas pessoas tiveram uma sensibilidade diferenciada comigo. Uma delas me perguntou como eu estava me sentindo (acho lindo quando alguém nos percebe), e o camarada Wolf notou a minha presença ausente na mesa. O humor, em algum momento, melhora.

Foi no Bar do Zezé que encontrei tudo de que eu precisava. Foi ótimo rever velhos foristas, conhecer novos, falar com as meninas e confraternizar com todos. Viva o Bar do Zezé, onde o afeto é real.