SWING MISTURA CERTA - R. VINTE DE ABRIL, 9 - CENTRO

Dividir é multiplicar...
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Dante
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Bate Bola 🔗 Anúncio Beijo? Gostou do beijo? Oral sem capa? Oral completo? Anal? Taxa extra? Repeteco?

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— Não jogue fora nenhuma parte sua — by Austin Kleon
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O BAR

Sábado, quando a vida acontece... Não me perguntem o porquê, relevem o meu tom repetitivo, mas eu adoro aquela parte remota da Lapa, próxima a Praça da Cruz Vermelha. Quando o Bar das Quengas acabou, senti o vácuo de perder o pouso favorito. Quando reinauguraram com o nome de Boteco Bacurau, corri de volta à toca do lobo.

É um ritual. Escolho a mesa mais discreta, sento-me, peço o meu uísque e entro no modo contemplação. É o ponto de partida, o lugar onde sinto a temperatura da noite, onde me enveneno com doses ilimitadas de álcool. O único porém do meu hábito de beber nos fins de semana é que saio sem o Sucatão. O prevenido vale por dois.

Quando alcanço o grau em que o mundo ao redor começa a brilhar mais forte, quando sinto aquela euforia clandestina me invadindo vaporosa como uma fêmea no cio que chega para me arrebatar, quando me vem a vontade de dançar ao ritmo da música que vaza dos meus aparelhos auditivos conectados ao celular, quando tudo isso acontece na sincronia inevitável do ébrio, é a hora em que me levanto e sigo em alguma direção aleatória.

Estranho foi pagar a conta, me erguer da mesa e no mesmo instante a melodia de Billy Idol transbordar para os meus tímpanos...

BILLY IDOL

Acredite, forista sem fé. Senti um tipo de elevação espiritual que já não experimento na mesma constância em que sentia na juventude. Foi quando uma ideia imprudente me tocou o pensamento. Decidi ir sozinho ao swing do Mistura Certa, pois as boas companhias femininas estão raras e inconstantes para essa modalidade mundana.

VIA CRUCIS

A parte remota da Lapa não é para qualquer um, é para os ousados. As ruas são mais desertas, seres estranhos cortam nosso caminho, a Praça da Cruz Vermelha é uma colônia de miseráveis indigentes e a Rua 20 de Abril, onde está o swing, é tenebrosa. O velho puteiro que ficava ali aberto dia e noite, na esquina com Rua do Senado, o bom Feitiço do Tempo, acabou.

Há os suspiros de outras eras que emanam da carcomida casa onde nasceu o Barão do Rio Branco, hoje profanada e em ruínas como todo o resto do Centro da Cidade.

Já citei em outros relatos, não sou corajoso, sou abusado. Ando com o cu na mão por essas vias apartadas da existência, mas também sou alimentado pela adrenalina, o único antídoto para o tédio irreparável que a idade e as vivências excessivas me trouxeram.

Cheguei ileso ao Mistura Certa, mesmo com o caminhar tortuoso do ébrio. Na recepção, pergunto se posso entrar como solteiro. A resposta positiva veio acompanhada do valor para a permissão: 270 reais.

ORGIA PERPÉTUA

Hesitei. O preço excessivo quase me fez ficar sóbrio. Tudo bem, a vida é uma só e eu já estou velho para cacete. Aceitei. Foi a primeira vez que escolhi entrar no swing sozinho. Posso dizer que também foi a última vez que fiz isso.

O Mistura Certa é animado nos fins de semana. A casa estava repleta de casais e alguns solitários como eu. Não posso negar, me invadiu uma incômoda melancolia por estar sem um par naquela noite. A boate é bonita, como já me referi em outros relatos. Assim como o atendimento é satisfatório. Vi uma mulher colossal vestida com um uniforme branco, fiquei na dúvida se era a massagista das noites de sábado, mas a preguiça de perguntar superou a curiosidade. Talvez, tivesse sido a salvação da noite.

Pedi mais umas doses de uísque, foi a única maneira de contornar a depressão causada pela escolha que fiz. Em determinado horário, fui em direção ao labirinto e vaguei pelos corredores. Imagine, afeiçoado, um senhor barrigudinho esperando o milagre de ser assediado por alguma mulher presente. Na cama coletiva, a suruba rolava solta. Um pouco zonzo, aproveitei para sentar-me numa das extremidades mais reservadas do colchão, não reparei o casal que trepava eufórico perto dali.

Subitamente, senti uma fisgada na virilha e percebi a mão que pegava meu pau com brutalidade. Girei o pescoço para ver de onde partia o ataque. Perdoem-me pelo que irei dizer, não gosto de retratar ninguém desse jeito, mas era uma mulher pavorosa, carrancuda, a impressão que tive é de que ela estava com uma máscara carnavalesca de Bate-Bola.

A Bate-Bola insistia em abrir o zíper da minha calça enquanto gemia no vai e vem das estocadas do homem atrás dela. Cansado, bêbado, me veio o pensamento: não tem tu, vai tu mesmo.

Afrouxei o cinto, arriei a calça e a criatura me abocanhou com a fome de uma piranha do rio São Francisco. A mulher era esquisita, mas o boquete se revelou sublime e me nocauteou em velocidade recorde. A surpresa foi que ela engoliu o meu gozo e ainda lambeu os lábios como uma canibal insatisfeita. Se tratando dela, não foi uma visão excitante, fiquei aterrorizado.

Não havendo mais o que fazer ali, desci à recepção, paguei a conta, pedi um táxi e sintonizei meus fones na música epilogal...

THE CURE

O relógio da Central do Brasil despontava embaçado para os meus olhos através da janela do táxi, os ponteiros se aproximavam das 4 da madrugada. Eu me senti sozinho, muito sozinho, mas sempre soube que esse é o preço da liberdade absoluta, é a jornada que constrói a fé em si mesmo. Navegar é preciso...
Madruguinha curtiu esse relato.
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Dante
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Tice 120 min 270 Beijo? Sim Gostou do beijo? Sim Oral sem capa? Sim Oral completo? Não sei Anal? Não Taxa extra? Não 👍 Positivo Repeteco? Não

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Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.
—Thomas Carlyle



Algo que aprendi na minha extensa jornada é que todo talento que foi aperfeiçoado pelo treino e pelo estudo ganha o poder de encantar, mas também pode causar ressentimentos. Encanta àqueles privilegiados com a sabedoria de apreciar, mas causa ressentimento naqueles em que a debilidade é maior do que a capacidade do encanto.

O maior talento que desenvolvi, porém, foi o respeito pelo outro. Crítica não é afronta e, por mais que nos suponhamos o centro do mundo, nem todas as críticas são endereçadas ao nosso ego faminto. Críticas são ensinamentos para quem cultiva a inteligência.

Tenho bom-humor, tento ser simpático mesmo com os antipáticos, faço questão de cumprimentar todos, mas nunca cometo a deselegância tosca do desrespeito, pois o desrespeito é o talento exclusivo dos palermas e eu detestaria me sentir assim. Além disso, sou um velho e valorizo muito a experiência e a dignidade que o tempo nos concede. Como costumo dizer, sou um britânico exilado nestes trópicos de manadas obtusas.

Sou essencialmente amigo, sou leal e por isso mantenho parcerias longevas como a que tenho com o camarada Brand e outros poucos com quem esbarrei na minha antediluviana relação com os fóruns. Carrego história e conteúdo. Não insultos. Não sou polêmico, como sempre tentam me rotular, o que não sou é igual à maioria. Penso, logo existo.

Nessas décadas em que me faço ativo escrevendo, aprendi muito com alguns foristas do passado com quem eu não simpatizava. Posso não simpatizar, mas não me fecho, nem me privo de aprender com os melhores, mesmo que não aprecie a personalidade de alguns deles.

Não existe campo mais competitivo e ególatra do que o da literatura e eu sou um operário da palavra. Talvez, por isso, já esteja acostumado a tratar com haters de plantão e neuróticos de ocasião. Qualquer atividade que compete com egos nos traz o risco de trombar com gente descompensada emocionalmente. É do jogo e eu aceito as regras do jogo.

— Por que você perde tempo escrevendo em fórum de putas? — esse foi o questionamento que mais ouvi desde que me cadastrei no Hot-Fórum há mais de 20 anos. A resposta é que não cultivo preconceitos, os fóruns me trouxeram uma experiência extraordinária na criação de narrativas, o primeiro livro que lancei em 2009 lotou a livraria de foristas e outros tipos de leitores, até um cineasta foi me procurar na noite de autógrafos. Conheci pessoas inteligentíssimas e talentosas (não são muitas, mas existem) através dos fóruns. Fico um pouco frustrado quando vejo os mais jovens neófitos não aproveitarem a oportunidade que aproveitei aqui.

Semana passada, descobri que um artigo que escrevi sobre a Vila Mimosa em um conhecido jornal serviu como referência para três trabalhos de conclusão de curso em universidades federais do Rio e de São Paulo. Isso é um prêmio. Provavelmente, eu não seria capaz de escrever o tal artigo se não tivesse o Dante como o meu cicerone pelas madrugadas cariocas. Sou grato aos fóruns e ao meu alterego, me agregaram muito mais do que o tempo que dediquei a eles.

Já era noite quando me encontrei com a Tice nos arredores da Cinelândia. Como ela faltou ao trabalho nesse dia, a compensei com um valor em dinheiro.

Levei-a para o Amarelinho. Conheci Tice pelo Tinder, ela é paranaense do interior, sotaque forte e cheia da energia dos 25 anos de idade. Ruiva, cabelos longos, olhos verdes, um corpo todo durinho contemplado por seios médios e uma das bundas mais apetitosas que já vi.

No Amarelinho, descobri que a menina bebe bem, enche o pote. Depois de litros de gim, abandonou a timidez e exalou gestos mais eróticos. Diante daquela transformação inesperada, perguntei se ela aceitaria ir ao swing comigo.

— Não conheço, mas vambora — ela me responde.

Vinte minutos depois, entramos no Mistura Certa.

Casa cheia na sexta-feira, vi muitas cavalas e mulheres gostosas. Show de strippers. Tice continuou entornando mais alguns litros de gim e ficando cada vez mais exótica no comportamento. Para fazer o sangue dela circular, sugeri visitarmos o sombrio labirinto sexual.

Penetramos na escuridão labiríntica de paredes e cabines. De repente, ouço a voz alterada de Tice reclamando furiosa.

— Porra. Passaram a mão na minha bunda. Quem foi? Quem foi? — girava os braços balançando o punho fechado — aparece que vou te dar um soco.

Subitamente, o labirinto esvaziou. Suei para acalmar a menina e a retirei dali.

Rodamos um pouco mais e acabamos dentro de um quarto grande, com três camas imensas, onde acontecia uma orgia perpétua e indecente. Mulheres gemendo, gritando enquanto eram penetradas ao mesmo tempo em que abocanhavam dúzias de pintos eufóricos que se apresentavam aos lábios delas.

Tice, vendo aquilo tudo, deve ter ficado excitada. Ébria, arriou a minha calça com violência e engoliu o meu combalido pênis num boquete cheio de ânsia e profundidade. Impossível resistir, gozei meus inválidos espermas em sua boca. Tice cuspiu e pediu outro gim.

A garota ficou muito bêbada, não se lembrou de quase nada no dia seguinte. Sem condições de permanecer com ela na boate naquele estado precário, pedi um táxi e a deixei em casa. Tice ficou irada, me xingou alegando que queria ir para a minha casa. Enrolei, me desculpei e fugi dali depois que ela entrou na residência.

Fim de noite. A vida passa, páginas são escritas neste romance erótico que terminará, inevitavelmente, inacabado. A aventura continua...
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