LIBERDADE É COISA MUITO SÉRIA. (parte 1)

Espaço para nossos escritores de plantão escreverem seus contos eróticos, no melhor estilo da mesma sessão na antiga revista Ele & Ela...
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Madruguinha
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Mensagem por Madruguinha »

Ela nunca tinha se aberto às possibilidades. Superprotegida, ninguém além de sua mãe e de alguns pediatras tinha visto o seu corpo nu. De autoestima baixa e temendo relacionamentos, passava as horas em seu quarto, vivendo dias, independentemente do tempo lá fora. Sem aproveitar direito o que a vida reservava, tentava distrair a sua mente com músicas, vídeos, livros e jogos daquilo que não tinha coragem para encarar.

Maria tinha 18 anos e tinha acabado de sair do ensino médio. Tinha poucas meninas para chamar de amigas e só havia beijado dois meninos na vida, depois de participar, sob pressão, de uma brincadeira na época do ginásio. Achou desconfortável e "correu" nas outras oportunidades. Sem nada de relevante no histórico da sua vida amorosa, foi colecionando tabus em sua mente barulhenta. Não porque buscou isso de fato, mas porque palavras e olhares de gente amargurada, infeliz e sem noção foram deixando sequelas quase irreversíveis nela.

Era uma morena bonita que se escondia em roupas e penteados que não favoreciam sua beleza. De estatura média, cabelos curtos, corpo magro e olhos cansados de sono, choro e café, de vez em quando os complexos lhe davam uma folga e ela aproveitava esses momentos pra realizar uma sessão de fotos das quais não tinha coragem para mostrar a ninguém.

Adotava um comportamento diferente dos demais. Naquela altura da vida, seus ex colegas de escola só queriam saber de beijar na boca, curtir, beber e dançar, enquanto para ela o mundinho reservado do seu quarto era o único lugar confortável que conhecia. Não entendia muito dos "papos calcinha" na rodinha das meninas, nem do que elas faziam sozinhas ou acompanhadas. Masturbação parecia esquisito e perigoso e ela nunca havia sequer tentado.

Afinal, além da pouquíssima experiência afetiva, não sentia atração ou interesse pelo físico. Todos eram iguais para ela, e seu corpo era um casulo que não se abria para provar nada de diferente. Seus breves encantamentos eram despertados pela personalidade e pelo cuidado com que a tratavam, mas não deixava que o sentimento se perpetuasse, pois não se achava suficiente e interessante para alguém. Sentia-se uma estranha no ninho em qualquer lugar e o futuro a assombrava.

O que já era difícil ficaria ainda pior.

Depois que a 3ª aula de biologia do semestre, no 2° ano do ensino médio, abordou o comportamento de pessoas assexuais e o sofrimento pelo qual elas poderiam passar, sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Chegando em casa, pesquisou mais sobre o assunto na internet e, em poucos minutos, enxergou-se encaixada ali. O receio de ser julgada aumentava.

Confusa e envergonhada demais para conversar com alguém sobre o tema, doía na alma o fato de ser ainda mais diferente do que pensava. Chegou a molhar o travesseiro algumas vezes, perguntando-se por que logo ela havia sido amaldiçoada com aquela situação. Queria ajuda psicológica para lidar com o problema, mas a vergonha era maior do que tudo.

Criada por uma mãe que trabalhava muito e tendo um irmãozinho para tomar conta, não tinha confiança nem jeito para buscar auxílio. Sentia-se acuada e temia ser ainda mais rejeitada por todos. Enclausurou-se ainda mais e viveu os dois últimos anos de colégio com tanta ansiedade que eles pareceram durar seis. Ela só queria não precisar socializar e nem conversar com ninguém.

Tentando resolver tudo sozinha, de vez em quando tomava coragem para pesquisar mais sobre o assunto. Links e mais links surgiam, cada um com sua novidade, toda vez que ela digitava o termo "assexual" na barra de pesquisa. Por causa disso, descobriu coisas importantes sobre o corpo feminino. Entre elas as zonas na vulva que podem levar as mulheres a outras dimensões, sem que precisem sair de casa.

Passou a prestar mais atenção no próprio corpo, mas ainda temia tocá-lo, retardando o processo de autoconhecimento. Via imagens e assistia a vídeos explicativos sobre anatomia feminina, lia blogs e fóruns, olhava fotos de órgãos masculinos e femininos, mas não se excitava. Seu coração disparava de nervoso e medo a cada nova informação, e algo lhe dizia que fazer aquilo era errado. Porém, estava decidida a encontrar as respostas para as suas dúvidas.

Sua buceta era tão fechada quanto a sua mente. O máximo de toque que sentia era quando precisava se depilar. Eram dois lábios grandes e volumosos, perfeitos para receber uma chupada, mas reprimidos pelos complexos que sua dona carregava. O grelo, virgenzinho para ser explorado, se escondia como um tesouro de infinitas terminações nervosas.

Mas do futuro nem sempre se pode correr. Uma pessoa surgiria para ajudá-la em seu processo.

Em uma tarde de terça-feira, despretensiosamente usando o Facebook, Maria recebeu solicitação de amizade de um rapaz que também tinha alguns complexos e gostos similares aos dela. Seu nome era Rômulo. Tinha namorado duas vezes e, em ambas, havia se entregado demais a quem não prestava. Acreditava no amor, sem anular o seu lado cafajeste. De baixa estatura, um pouco acima do peso, cabelos lisos rareando, pele branca e de óculos, andou stalkeando Maria por dias antes de tomar a iniciativa.

— Oi — disse ele no chat.
— O que é, hein? — ela respondeu.
— Só um oi, menina. Normal de quem quer começar uma conversa.
— Tá bom. Oi!
— Viu como é simples?
— Simples é você me deixar em paz.
— Ah é!
— Claro.
— O que tem de mal-educada, tem de linda.
— Não sou linda, muito menos mal-educada!
— Aham, sei.
— Me esquece!
— Como?
— Problema seu então.
— Problemaço.
— Idiota.
— Eu sou? Kkk
— É campeão nisso.
— Então tá.
— Okay.

Era só o primeiro dia de conversa entre os dois. Breve, ousado de um lado, e antipático do outro.

Ele era cinco anos mais velho e já estava há 1 ano e 6 meses sem conhecer alguém. Ocupava-se muito com o trabalho e não tinha muito tempo nem grana para sair. Quando se interessava, era rejeitado. Mas a quantidade de "nãos" foi servindo para que criasse uma casca, não custando nada tentar a sorte mais uma vez. Foram muitas as tentativas de aproximação com respostas ríspidas, secas e monossilábicas, até que uma tivesse algum efeito.

— Vi uma menina hoje na feira bem parecida contigo.
— Está enxergando mal, precisa de óculos novos.
— Para quê, se só tenho olhos para você?
— Essa foi péssima.
— Concordo.
— Você nunca vai me ver na feira. Eu nunca saio de casa.
— Que pena.
— É melhor assim.
— Você mora na Rua 13, né?
— Não lhe interessa!
— Claro que sim.
— O que você quer, hein?
— Quero você.
— Vai ficar querendo.
— Você já tem alguém?
— Você é repórter? Polícia?
— Não, menina, deixa de ser boba.
— Se sou boba, por que vem sempre me perturbar?
— Mas você continua respondendo.
— Te falei que tenho educação, mas paciência tem limite.
— Você gosta de um menino então.
— Não gosto de ninguém!
— Sério que não tem ninguém em vista para dar uns beijos? Sair para lanchar? Ir ao cinema?
— Cara, tu és muito chatinho.
— Talvez.
— Com certeza.
— Bom, já disse que te quero. Não sou de desistir fácil.
— Foi péssimo te conhecer — e bloqueou o rapaz.


Uma cantada mais direta alugou um apartamento na cabeça dela. Aquele "quero você" foi incapaz de sair da sua mente naquela noite. Ainda que ela já tivesse visitado o perfil dele no primeiro dia de conversa e gostado do conteúdo que ele postava, que estranhamente já se viu parada, analisando algumas fotos dele por mais tempo do que o habitual, continuava achando suas abordagens um tanto idiotas, pelo menos até aquele momento.

Voltou para ler todas as conversas e riu lembrando de algumas situações. Só não podia deixar que ele soubesse.

Desligou o computador e foi se deitar. "Quero você", "Quero você", "Quero você" — a frase se repetia em sua mente de maneira perturbadora. Sentiu vontade de tomar banho, mas temeu encontrar algum inseto no banheiro que estava com a lâmpada queimada e desistiu. Não entendeu muito bem o calor que subia toda vez que lembrava daquela conversa e decidiu se despir. Trancou a porta do quarto, tirou a blusa de crochê amarela confeccionada pela mãe — que cobria seus belos seios médios de bicos pretos — e jogou o shortinho azul de dormir em cima da cama. Abriu a porta do guarda-roupa, que tinha um imenso espelho (embora borrado de sangue, servia para se ver melhor), e não se achou lá grandes coisas.

Quase todas as garotas que ela conhecia eram maiores e mais bonitas, em sua visão. Suas pernas finas, seu bumbum pequeno de formato gracioso, a barriga chapada e o umbigo bem desenhado não eram nada belos para ela. Raramente passava pela experiência de ser assediada pelos homens como as outras meninas relatavam, mas decidiu se dar uma chance naquela noite. Queria se tocar para tentar se sentir menos estranha.

Apesar do calor, voltou para a cama e se cobriu com um fino lençol, sem saber por onde começar. Por mais recatada que fosse, ela era uma menina que precisava ser devorada, e seus instintos sabiam disso. Desejou estar dividindo a mesma cama com o rapaz e, logo, os seus mamilos se enrijeceram no simples tocar do tecido. Os batimentos do seu coração aceleravam na velocidade de quem corre uma maratona. Fechava os olhos, lembrava-se cada vez mais daquela frase, de tudo o que tinha lido sobre prazer feminino, e o seu tesão aumentava. Pela primeira vez, curtia a ideia de entregar seu corpo a alguém, ainda que esse alguém fosse ela mesma.

Sua xoxota começava a piscar de vontade, sendo apertada pelas suas coxas e a dureza dos mamilos era apreciada por seus polegares, enquanto um vulcão entrava em erupção no meio das suas pernas. Seus dedos longos iniciavam um trajeto inédito, descendo dos seios para a barriga, até chegar à sua xoxota molhada de prazer. Foi quando teve a ideia de ligar o computador para voltar ao álbum do rapaz e olhar as fotos enquanto se bolinava. Aproveitou para desbloqueá-lo do chat e tomar a iniciativa de começar um papo pela primeira vez, com os dedos úmidos sobre o mouse.

— Hey!
— Ué, não estou acreditando.
— Que foi, criatura?
— Você me chamando para conversar. Sempre eu que chamo.
— Ah é? Se não gostou, não falo nunca mais!
— Sempre radical.
— Hm.
— Mas o que houve? Teve pesadelo?
— Não. Só estou sem sono mesmo. E não sei se você notou (acho que sim) que eu tinha te bloqueado. Vim pedir desculpas.
— Ah, sim. Tudo bem, relaxa.
— Não esperava encontrar você por aqui.
— Mas encontrou.
— Pois é.
— E gostou de ter encontrado.
— Você que está dizendo.
— Eu sei do que falo.
— Fala nada com nada!
— Falo tudo com pouco.
— Se acha muito!
— Acho mesmo. Acho você uma graça se fazendo de durona.
— Ah, garoto! Nem sei por que te desbloqueei, sabe.
— Mas eu sei. Ficou pensando no que eu te disse.
— O quê?
— Que te quero. E digo novamente: EU QUERO VOCÊ!
— Nem sempre querer é poder.
— É verdade. Eu, por exemplo, queria estar aí com você agora e não posso.
— Deus me livre. Se você aparecesse por aqui, eu chamaria a polícia.
— Ah é? Mas que crime eu cometi? Amar demais?
— Deixa de ser ridículo.
— É a única coisa que eu sei ser.
— Estou vendo.
— Você ainda não viu nada.
— Não me interessa.
— Tá bom. Vou indo nessa.
— Não estou te segurando.
— Se estivesse, eu não faria força para soltar.
— Definitivamente não falava coisa com coisa!
— E você fica sem saber o que dizer.
— Quê?
— Eu mexo contigo e você não consegue disfarçar.
— Mexe com meus nervos. Te odeio!
— Mexo com a sua cabeça, mexo com o seu coração e também com a sua libido...
— Longe disso. Viaja não!
— De perto você não resiste. Sei que quer também.
— Hahaha. Só rindo! O que faria com alguém que tem asco por você?
— Asco? Ah, tá, kkk.
— Sim. Não dá, sinceramente.
— Bem delicada, ela.
— Sincera, melhor dizendo.
— Você e eu não existimos. Nunca existirá. Ainda que você fosse a última criatura do mundo e ele precisasse procriar.
— Blá, blá, blá. Várias frases prontas. Depois fala de mim.
— Nojo, muito nojo.
— Ainda vai ser minha.
— Hahaha, como?
— Com tudo o que você deseja. Beijos, chupões e amassos. Mordidas, lambidas e abraços. Meu corpo colado ao seu como se fôssemos um. Suados, quentes, cansados. Arfando de prazer.
— Embrulhou meu estômago, vou ali vomitar.
— Mais fácil falar isso do que dizer que molhou a calcinha.
— Nem perto disso.
— Será?
— Pode crer.
— E se eu falar que só acredito vendo?
— Ridículo, previsível, baixo. Um imundo, pervertido e sem graça.
— Obrigado pelos elogios.
— Falei poucos até.
— É preta de renda, né?!
— Quê?
— Sua calcinha.
— Você só pensa nisso, cara?
— Não, mas você me provoca.
— A culpa não é minha de você ser um tarado porco.
— Tá, mas como ela é?
— Nem toda mulher usa, sabia?
— Mas você tem cara de quem usa. Daquelas coloridas de desenho. Tipo de menininha, kkk.
— Babaca! Eu nem estou usando calcinha.
— Usa aquelas cuecas boxer? Até que devem ficar legais em você.
— Deixa de ser idiota!
— Hahaha.
— Para, cara. Force menos. Nem a sua risada é natural.
— Ih, ala.
— Sério.
— Shortinho então?
— Ai, ai...
— Hmmmmmm. Já sei!
— O quê?
— Samba-canção.
— Passou longe.
— Não me diga que...
— Sim.
— Nua? Sem nada?
— Sim, é assim que eu durmo.
— Uau, uma mulher completamente livre!
— Faz bem para a saúde.
— Porra, que delícia.
— Não é para o seu bico.
— Ah, não? Teu fetiche é deixar a gente na vontade, né?!
— Talvez.
— Conseguiu.
— Não foi difícil.
— Para você eu sou fácil.
— Essa não foi muito criativa.

"Então veja essa criação", — ele escreveu, legendando uma foto que exibia seu corpo da cintura para baixo, de cueca branca, um par de pernas grossas, que mexeu ainda mais com ela.

A garota não sabia como reagir. Sentia uma inquietação diferente de tudo o que já havia sentido. Visualizou objetos pelo quarto que pudessem satisfazer àquela xoxota pulsante que babava na cadeira. Uma escova de madeira, lápis, canetas, o secador de cabelo, um ursinho para sentar sobre a cara dele... Tudo foi imaginado enquanto o rapaz, do outro lado da tela, esperava uma resposta por longos minutos, lendo a informação "digitando...".

"Que vontade de sentar no colo dele. Será que ele meteria com cuidado? Como contar para ele que ainda sou virgem? Será que vai rir da minha cara? Como dizer para ele que estou com uma vontade enorme de ser preenchida? Eu não sei se consigo. Mas quero conseguir", conversava consigo mesma.

— Não faça mais isso!
— Não gostou?
— Nem um pouco.
— Do que você tem medo?
— De tudo.
— Disserte o tudo.
— Sou obrigada?
— Claro que não, só se quiser.
— Tá bom. Tenho medo que estejam nos vendo, que nossas fotos parem em mãos erradas, de você ser a mão errada. Sei lá...
— Só isso?
— Acho que sim. Não sei.
— Mas você nem me enviou nada. Está pensando em enviar?
— Eu disse que ia enviar?
— Não sei, acho que li demais nas entrelinhas.
— Escroto!
— Tem medo de se envolver, aposto!
— Ham?
— Ô se tem, viu?!
— Pare de falar isso.
— Tá bom.
— Obrigada!
— Não precisa agradecer.
— Eu sou assim, já disse.
— É por isso que não consegue me dizer coisas safadas? Por educação?
— Que conversa é essa?
— Você está doida para me mandar uma foto nua. Com esse corpo pegando fogo e cheio de desejo de ser comida. Mas a sua moral e os seus bons costumes a impedem.
— Cruzes. Que estúpido!
— Só verdades.
— E quem disse que eu estou assim?
— Eu sei que está.
— Não estou!
— Mas eu estou. — E enviou outra foto legendada, dessa vez com a cabeça avermelhada do membro para fora.
— Não faça isso, seu ridículo!
— Se quisesse mesmo que eu parasse, nem responderia e me bloquearia, como já bloqueou por muito menos — ele disse.
— Sei nem o que dizer.
— Apenas se entregue. Seja minha esta noite.
— Fala isso para todas.
— Meu nome já estaria malfalado por aí se isso fosse verdade. Não acha?
— Não sei, não conheço você direito.
— Mas eu confio em ti. Tem algo bom em você que não consigo explicar. Quando vejo, já estou entregue.
— Para, por favor! Cada coisa que você escreve me deixa bem sem graça.
— Essa é a intenção, rs. Aproveite o momento.
— Vou aproveitar para desligar e dormir.
— Você não quer fazer isso.
— ...
— Deixa eu ver o que você tanto esconde. Esse corpo que quero beijar por inteiro.
— Pare!
— Continuo...
— Não precisa. Vou indo.
— Fique um pouco mais. Prometo que vou ser bonzinho.
— Sei bem esse teu bonzinho.
— Nem desconfiava que eu era assim, né, rs?!
— Desconfiava, sim. Você é previsível.
— Mas não sou de todo ruim. Você ainda está aqui.
— Não sei por quê.
— Mas eu sei. — E dessa vez não enviou apenas a cabeça, mas sim o pênis todo de 13 cm, depilado e ereto.
— Para, por favor.
— É só o começo.
— Já vi demais. Coisa que nem deveria.
— Mostro mais.
— Não.
— Sim!
— Eu estou ficando excitada.
— Mesmo?
— Sim.
— E isso não é bom?
— É e não é!
— Por quê?
— Porque isso é errado.
— Eu não acho.
— Mas também é ruim ter vontade e não poder fazer.
— Aí eu concordo.
— Vamos dormir?
— O que está se passando pela sua cabeça?
— Muito curioso!
— Sou mesmo, kkk.
— Idiota!
— Relaxa um pouco. Só diz o que se passa.
— Melhor não.
— Melhor sim.
— Muito chato.
— Kkk, nunca escondi isso.
— Eu fico imaginando a sua barba fazendo cosquinha na minha nuca, seu nariz fungando no meu pescoço...
— Estou gostando disso! E o que mais? Fala para mim.
— Você me beijando e descendo pelo meu corpo.
— Tá ficando bom.
— Esse pau dentro de mim me fazendo sua mulher.
— É tudo o que eu mais quero.
— Não brinque comigo.
— Não estou.
— Está sim. Depois disso vai sumir.
— Só se eu fosse muito burro.
— Ou caísse na realidade.
— E que realidade é essa?
— Eu sou uma menina feia, magra, sem sal e sem graça...
— Tem certeza de que sou eu quem tem que usar óculos? Você não é nada disso. É uma garota lindíssima. Sou apaixonado.
— Só fala isso porque nunca me viu de perto.
— Muito boba, você.
— Não sou. É a verdade.
— Olha, você nem sabe, mas eu diminuiria 5, sei lá, 10 anos da minha vida se, em troca, pudesse ter você agora. Neste instante.
— Meu Deus! Olha o que a pessoa é capaz de dizer quando quer impressionar alguém que quer levar para a cama. A propósito, não creio. Tente outra!
— Hahahahah. Mas é verdade.
— Não é, não. Somos dois idiotas ficando virtualmente.
— É só me mandar a localização, que eu pinto por aí.
— Essa hora? Muito perigoso.
— Você ficaria feliz em me ver?
— Não sei. Tenho medo.
— De alguém ver? De eu fazer alguma maldade com você?
— Também.
— Estou imaginando.
— O quê?
— Eu aí na sua casa te amando.
— Já te falei para parar.
— Permita-se, garota. Se entregue ao prazer. Deixe-me ser seu esta noite.
— Está gostoso pensar em você passeando no meu corpo. Eu te beijando com carinho e também com força. Mordendo seus lábios devagar.
— Eu sabia que conseguiria. Imagina que estou aí juntinho, para te amar por inteira.
— Não fala isso...
— Vou chupar essa buceta até você pedir para parar porque quer meu pau dentro dela.
— Pare, por favor...
— Continuo... Você também quer muito...
— Não sei se devo.
— Deve se entregar e viver o que tem vontade. Sentar em mim até explodir toda mole.

"Olha como tá vermelha de tanta vontade." — Enviou outra foto.

— Socorro! Que tes...
— Estou sentindo que está curtindo.
— Não deveria, mas...
— Bom que não sinto vontade sozinho.
— Olha como eu estou. — Ela enviou um vídeo de 8 segundos massageando a superfície da xaninha com aqueles dedos longos.
— CARALHO! Desse jeito eu não aguento!
— Acho que estamos indo longe demais. Melhor pararmos por aqui
— Por quê?
— Preciso te contar uma coisa e talvez você ache estranho.
— O quê é, meu bem?
— Eu sou uma menina ainda...

(Continua...)
"Não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar."
Guerra Miraglia e Digboy curtiram essa mensagem.
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Re: LIBERDADE É COISA MUITO SÉRIA. (parte 2)

Mensagem por Madruguinha »

(... Continuação)

Depois disso, Rômulo ficou sem saber o que dizer de imediato. Entendia um pouco o medo e a timidez dela. Sua ereção diminuiu, mas conseguiu, de certa forma, contornar.

— Eu sabia que você era especial.
— Ser virgem é ser especial?
— Não é apenas isso que te faz especial.
— Humm.
— O que é então?
— Ah, são tantas coisas, só você não enxerga.
— Tá, mas nem sei por que te contei isso.
— Deixa estar, ainda estou aqui.
— Você quer continuar?
— Estou no seu ritmo.
— Alguma coisa mudou para você?
— Nada. Continuo te admirando e querendo.
— Gostaria de ser o meu primeiro?
— Você acha que eu mereço ser?
— Muito cedo para definir isso.
— Eu te entendo e respeito.
— Obrigada!
— Não há de quê!
— Valeu.
— Falou.
— Será que vai doer?
— Não sei, mas carinho e cuidado devem ajudar.
— Está muito tarde. Devemos descansar.
— Mas está tão bom.
— Concordo.
— Estou inquieta.
— Normal.
— É tudo novo.
— Obrigado por me contar tudo.
— Olha, ele sabe agradecer também.
— Não sou todo esse monstro que você acha não.
— É uma incógnita ainda. Mas confesso que estou com menos medo de te conhecer.
— Eita, então isso vai acontecer um dia. Obrigado, @Deus.
— Não cansa de ser panaca?
— Acho que não.
— Eu não moro na rua 13. Moro na 11.
— Ah, sim. Aquela que tem uma subidona.
— Isso.
— Prometo que não vou mandar carro de som na sua janela.
— Nem ouse. Ridículo eu sei que você é, mas não se prestaria a esse papel (acho).
— Foi legal conversar com você, Maria. Que bom que me desbloqueou.
— É, foi legalzinho. Mas está bem tarde.
— Verdade. Amanhã tem luta.
— Boa luta para você!
— Bons sonhos, sonhe comigo.
— Já esperava por isso. Bem típico seu.
— Kkkkkkkkkkk. Te adoro.
— Tá.
— Vou dormir.
— Vai conseguir fechar os olhos e adormecer rápido?
— Acho que sim. E você?
— Acho que não.
— Eu toco uma punheta e pego no sono.
— Para você tudo é fácil, né? — disse ela.
— Nem sempre.
— Até amanhã.
— Até! Beijo nessa boca gostosa. Fui!
— Bj. Tchau!

Maria respirava um ar mais leve, como há tempos não vivia. Já não se achava tão diferente e começava a gostar daquele mundo mais picante. Voltou para a cama ainda sem roupa e continuou a se tocar. Até na linha de pele que separa o cu da vagina, se permitiu mexer. O medo de introduzir algo e romper o hímen ainda existia, então preferiu ficar massageando toda a buceta em volta, sentindo um prazer novo e gostoso até pegar no sono. Não esperava a hora de ver Rômulo online novamente para conversarem mais. Acordou e seu primeiro pensamento foi esse. Mas a sua expectativa seria frustrada naquele dia e nos próximos dois. Rômulo não deu as caras e, embora isso já tivesse acontecido outras vezes, começava a se perguntar se havia sido usada.

O rapaz tivera o seu celular roubado às seis e meia da manhã, no caminho para o trabalho. Não teve oportunidade de avisar, nem de mandar recado, e aquilo poderia lhe custar muito caro. Maria estava encafifada com o desaparecimento dele, mas em contrapartida sentia-se menos estranha depois daquela noite. Mandou mensagem para uma ex-colega de crisma, dizendo que precisava conversar um pouco, contar as novidades, etc. Sophia era dois anos mais velha, mais livre, madura e vivida. Eram vizinhas de bairro.

Na terceira tarde depois do ocorrido, bateu à porta de Maria para visitá-la. Sophia usava um boné para trás, calça jeans e blusa de banda de rock, que combinava com o All Star preto, correntes, pulseiras e uma mochila. Tinha acabado de voltar do pré-vestibular. Pele branca, cabelo curto, castanho e liso, com mechas azuis e rosas, um pouco cheinha, de olhos verdes e piercing no nariz. Era uma garota bonita e um pouco masculinizada. Sua voz grave e seu jeito de andar lembravam os de um menino. No colégio, na crisma e no clube, sempre duvidaram da sua orientação sexual. Ela mesma demorou a se descobrir, até que se apaixonou por uma menina hétero que era sua melhor amiga. Maria não sabia disso ainda, pois Sophia, assim como ela, ainda tinha muito receio de ser julgada.

Porém, a casa vazia e a fragilidade de ambas iriam contribuir para um acontecimento importante. Maria olhava para ela e não sabia explicar o porquê de lembrar de Rômulo, a ponto até de ficar nervosa.

— Quanto tempo, cara! Moro aqui tão perto e nunca te vejo na rua. Como você está? — perguntou Sophia.
— Estou bem, e você? Entra, vou pegar uma água. Tá calor!
— Ah, aceito, essa subida mata um pouco kkk. Tô chegando da aula, espero não incomodar muito.
— Imagina! Tá tudo certo. Estava aqui sem fazer nada. Minha mãe tá no trabalho e meu irmão no colégio.
— Ah sim, legal. Bora colocar o papo em dia então — disse Sophia, já com a mente cheia de malícia só por saber que estavam sozinhas.

Entraram no quarto e começaram a conversar sobre as novidades.

— O que você anda fazendo?
— Não muita coisa. Lendo, assistindo a séries, estudando beeeem pouquinho kkk, jogando... Minha vida é esse quarto e os afazeres de casa, porque minha mãe trabalha.
— E fins de semana? Não faz nada de bom?
— Nada, menina. Não tenho companhia nem dinheiro.
— Mas tem programas simples e baratos. Vou te incluir nos meus rolês.
— Eu vou falar que vou, mas não vou kkk.
— Veremos!
— Tá bom então, veremos!
— E vou pegar no seu pé por conta dos estudos também.
— Ah, nisso você tem razão. Eu deveria ser mais focada.
— Aham. Você consegue. E além do mais, precisando, posso te auxiliar.
— Valeu.
— E você, como vai? Também quase não dá pra saber de ti. Até suas redes sociais são discretas.
— Pois é. Preciso passar no vestibular. Aí é foda.
— Qual curso tu almejas?
— Odontologia. E você?
— Acho que Letras.
— Sua cara mesmo pra falar esse "almejas" aí .
— Né kkk.
— Mas continue falando de você...
— Tá bom, senhorita — disse Sophia e prosseguiu: "Bom, nos fins de semana eu consigo dar umas escapadas, vejo gente, saio pra beber um pouco, festas, etc. Não é sempre, mas de vez em quando dá. Meu pai me dá uma pensão que ajuda bastante lá em casa e nas minhas saídas. É basicamente isso."
— Sai com amigos?
— Na maioria das vezes.
— E o namoro com o Vinícius?
— Ele não era namorado. Ficamos algumas vezes e só.
— Achei que era.
— Não, não.
— Mas e você?
— Eu o quê?
— Tá ficando com alguém?
— Eu não! Ninguém interessante. Ninguém me quer também.
— Duvido! Você é encantadora.
— Você acha?
— Só você que não vê, cara.
— Bom, na verdade, eu andei teclando com um rapaz...
— E aí? Me conte tudo!
— Tenho vergonha.
— Não tenha. Estou aqui. Algo me diz que foi pra isso que você me chamou haha.
— Pra quê, criatura?
— Pra falar um pouco dele, do que tá rolando...
— Merda! Garota esperta!
— Falei kk.
— Então... Ele me perturba no chat há tempos. Até que é engraçadinho, gosto de algumas coisas nele.
— Hummm. Continua, vai.
— Fiquei com vontade de conhecer ele. Mas acho que fiz besteira.
— O que tu fez?
— Confiei muito. Me abri demais e acho que ele não quer nada sério.
— Como assim? Disse que estava apaixonada?
— Não, não. Antes fosse "só isso".
— Ihhh, fala logo
— Ele me enviou algumas fotos e eu fiquei excitada.
— Você confiava nele?
— Não sei. Não sei o que estava se passando na minha cabeça naquele dia.
— Mas tudo bem, vamos lá. Foco.
— Você gostou das fotos, sentiu-se excitada, e depois? Falou o que pra ele?
— Eu fiquei pedindo pra ele parar, mesmo querendo que ele continuasse. Confessei que estava com tesão e...
— E?
— Até um mini vídeo se tocando eu enviei.
— CARALHO. A coisa foi quente mesmo.
— Pois é.
— Prossiga.
— E aí disse pra ele o meu segredo.
— Segredo?
— É!
— Qual?
— Que sou uma menina ainda.
— Eita. Não sabia dessa.
— Sou uma idiota mesmo.
— Você não é. Fez o que teu coração mandou.
— Será?
— Foi, pô.
— Eu não sabia disso também, Maria. Ele também devia imaginar que não. Mas termine de contar o que aconteceu — disse Sophia, já começando a ficar excitada a cada informação.

— Aí é que está. Depois disso ele sumiu. Evaporou...
— Putz. Homens... Típico deles.
— Será que são todos assim?
— Bom, eu já desisti. Deixo pra você descobrir.
— Ahn? Desistiu? Como assim?
— Aham. Não tenho mais relações com eles. Minha praia agora é outra.
— Não entendi ainda.
— Sério? Preciso desenhar kkk?
— Ahhhhhh!
— Sim. Me descobri lésbica e não quero mais outra vida.
— Caramba! As pessoas desconfiavam e tal, mas nunca viram você com meninas, só com meninos.
— Perdi tempo. Mas isso acontece.
— Várias revelações hoje — Maria disse.
— Mas foi pra isso que você me chamou, ué. Colocar o papo em dia — Sophia respondeu.
— É verdade.
— E você, já ficou com alguma menina? Assim por curiosidade?
— Nunca!
— Já teve vontade?
— Nunca pensei.
— Mulheres são ótimas amantes. Ninguém melhor que elas. Conhecem perfeitamente os nossos corpos. — Sophia lançava um olhar malicioso que chegou a dar frio na barriga de Maria.
— Isso que você falou de repente faz sentido.
— Faz bastante.
— Vou na cozinha procurar algo pra comer, já volto — disse Maria, tentando assimilar e respirar normal um pouco.
— Tudo bem, te aguardo.

Maria foi até a cozinha buscar biscoito e café. Havia ficado balançada com a conversa. Teve um pouco de medo, mas a curiosidade parecia maior e não sabia o que podia acontecer na volta. Sophia conseguia mexer com o seu imaginário como Rômulo fizera e o seu corpo começava a dar sinais de inquietação.

No retorno, para a surpresa dela, encontrou Sophia na cadeira da mesa do computador, já sem a blusa de banda de rock, de sutiã preto, mudando a playlist do Spotify para ouvir AC/DC.

— Ficou calor de repente.
— Percebi, você até tirou a blusa.
— Ah, se quiser eu a ponho de volta.
— Não precisa, sinta-se em casa.
— Obrigada!
— Imagina...
— Você não está sentindo também?
— Um pouco.
— Acho que a conversa me acendeu um pouco.
— Foi?
— Sim... Foi nessa cadeira que você gravou o vídeo para ele?
— Foi sim.
— Hummm. Ficou toda melada e eu sentando nela agora.
— Assim você me deixa com vergonha.
— Sempre envergonhada.
— Desde que nasci.
— Na verdade, queria te deixar com outra coisa. — e disparou um olhar lascivo para Maria.
— Sophia, Sophia...
— Maria, Maria...
— Tu para, hein!
— Paro nada. Fiquei com um tesãozinho em você depois que me contou essa história.
— Meu irmão vai chegar da escola, a gente se vê outro dia. Pode ser?
— Que mentirosa!
— Sou não.
— Tá muito cedo para ele chegar. Eu fiquei louquinha nessa tua virgindade. Sério!
— Não vai rolar nada entre a gente.
— Que pena.
— Sou hétero. Aliás, pensei até que era assexual.
— Mas meninas hétero também brincam.
— Pare. Não foi para isso que te chamei aqui.
— Ok.
— Foi para fazer perguntas, afinal eu estava pensando em me entregar para o menino de quem te falei.
— Eu respondo a todas as perguntas. É só me perguntar. E, melhor do que isso, posso te ajudar a conhecer seu próprio corpo.
— É errado.
— Errado é ele te despertar desejos e sumir. Não acha?
— Também é.
— Talvez ele nem seja o rapaz certo para ser a sua primeira vez.
— E como vou saber?
— Esquece um pouco ele.

Sophia se levantou, aproximando-se da boca dela.

— Nunca ninguém chegou assim desse jeito. Tão perto e ainda mais no meu quarto.
— Você também quer. Olha seus seios crescendo dentro dessa blusa.
— É nervoso.
— É vontade de ser comida. Chupada. Amada.

E a beijou com gosto, forçando o corpo dela contra a parede.

Maria até poderia fazer força para se desvencilhar ou pedir para parar. Porém, não era isso que ela queria. Sua xereca, pouco manipulada, umedecia-se a cada toque de uma boca cheia de malícia, macia e de língua habilidosa. Rendida ao prazer, deixou que Sophia a beijasse e apalpasse suas pernas e bunda antes de tirar sua blusa e chupar seus seios em plena luz do dia.

Duas meninas de cabelo curto, com peles e formas que faziam um belo contraste, se pegavam com luxúria e quase nenhum temor. Sophia devorava o corpo de Maria como um garoto cheio de tesão, enquanto Maria esquecia de Rômulo, da assexualidade, da mãe, do irmãozinho e do mundo lá fora. A boca de Sophia era a cura de um mal que parecia não ter fim. Finalmente ela era desejada, tocada, sentida e amada, depois de quase duas décadas de resguardo.

— Eu sabia que você queria. Seu cheiro de moça guardada é delicioso.
— O seu perfume também é muito bom.
— Gosto mais do seu.
— Meu Deus, o que estamos fazendo!?
— Tira esse shortinho, tira... Melhor! Deixa que eu tiro o seu e tiro o meu. Deite-se lá na cama.

As duas, agora completamente nuas, se amavam na cama. Sophia caía de boca na xoxota virgem de Maria, que mordia uma toalinha de tanti tesão; chupava o clitóris dela com carinho e tinha a sua cabeça empurrada para baixo, quase afogada. Com os lábios tomados pelo gosto dela, subiu até a boca de Maria para beijá-la.

— Olha, tem gostinho seu no meu beijo.
— Até que o meu gostinho é bom.
— É uma delícia! — E beijou-a enquanto os seios tocavam nos seios dela.
— É assim que as meninas transam?
— Por que, não está curtindo?
— Estou.
— Ah, tá! Cala essa boca e me beija mais.
— Tá

Enquanto as duas se pegavam, Rômulo, no desespero de conseguir falar com Maria, saiu mais cedo do trabalho e subiu a tal Rua 11 para procurar por ela. Perguntou para algumas pessoas que ou não sabiam, ou não queriam dizer onde a garota morava. Até que, na barraquinha de pipoca, conseguiu a informação tão preciosa: número 1232.

— Como fazem quando sentem vontade de ser penetradas? — perguntou Maria.
— Ah, além de dedo e língua, andamos com nossos brinquedinhos: consolos, vibradores, pênis de borracha...
— Hmmm.
— Eu tenho um cacete de borracha na minha mochila.
— Sério?
— Sim. Quer ver? Ou melhor, sentar kkk?
— Ver tá de bom tamanho.
— Beleza, kkk.

Sophia abriu o zíper da mochila e pegou um cintaralho preto, que logo levou até a boca para chupar a ponta.
— É grande. Não machuca?
— Pra quem só queria ver, essa pergunta não faz sentido kk
— Outra idiota!
— Sacanagem. Se estiver lubrificada, não.
— Mas eu sou virgem.
— Ah é, verdade. Mas sabe... É um pouco assustador, mas você está em boas mãos.
— Eu não vou perder minha virgindade para isso aí não.
— Bom, é um direito seu escolher.
— Claro.
— Bom, o oral estava tão bom. Vamos continuar!?
— Vamos!
— Vou te deixar doida de prazer com a minha língua. Aí você muda de ideia.
— Será?
— Não duvide.

Sophia levava Maria à loucura só com a língua. Um tesão incontrolável que aumentava quando um dedo era posto próximo da entrada da vagina. Até seu cuzinho levava linguadas, e a vontade de se entregar, de ser penetrada, ficava mais forte.

— Sophia.
— Oi.
— Eu quero.
— O quê?
— Que me faça mulher.
— Se a gente apostasse, tu já tinha perdido.
— Me come devagar com essa coisa?
— Como sim, princesa.
— Você me lembra ele...
— Quem?
— O garoto...
— Ah, é?
— Sim.
— Mas eu duvido que ele faça melhor que eu.

E vestiu o cintaralho.

Sophia passou um lubrificante na ponta do objeto e puxou Maria para a ponta da cama, arreganhando suas pernas. Enquanto isso, um pouco antes, Rômulo chegava na frente da porta da casa dela, mas temia chamar e dar de cara com alguém da família. Percebendo que o muro era baixo, olhou a rua totalmente deserta e pulou dentro do terreno para, como um ladrão, encontrar o que queria — no caso, o quarto de Maria. Viu na entrada apenas um par de chinelos e se sentiu confiante para espionar pela janela do lado esquerdo da casa.

Acabou presenciando uma cena surpreendente.

A menina virgem não demorou três dias para esquecê-lo. A menina que o fez ficar desnorteado por não conseguir um jeito de se comunicar, a menina que devia estar achando-o um cara horrível por sumir depois daquilo tudo, estava prestes a dar a buceta para outra menina com um pau de borracha. Um pau de borracha faria o sangue jorrar, e ele não.

Sophia, com cuidado e muito tesão, esfregava o membro de borracha na xaninha de Maria. Quando pensou em iniciar a penetração de leve, um barulho de algo caindo lá fora a conteve.

— O que é isso?
— Não sei. Será que alguém chegou? Ou pularam aqui? — perguntou Maria.
— Pqp! — respondeu Sophia. — Mas também pode ser algum gato. — completou.
— Verdade.
— Vou dar uma espiada pela janela — disse Sophia, encontrando um rapaz sentado bem embaixo dela, encolhido e de cabeça baixa.

Sacou de cara ser o tal Rômulo e preferiu ocultar a verdade a Maria, só para não correr o risco de perder a oportunidade de desvirginá-la. Um egoísmo gigante se apossou dela.

— Não tem ninguém, viu!? Ou foi gato ou foi vento.
— Ufa... Onde estávamos?
— No meu pinto de borracha.
— Ah, é kkk.
— Ainda bem que ele não brocha.
— Pois é!
— Eu bem que te falei que sou melhor que qualquer menino.
— Tô vendo.
— Vamos em frente então.
— Sim.
— Deixe eu chupar você mais um pouco. Que bucetinha gostosa, não me canso.
— Sua boca também é.
— Deixa ela trabalhar então.

Sophia voltou a percorrer toda a xereca de Maria com a mesma sede de antes. Saber que lá fora tinha alguém sabendo o que estava acontecendo lhe dava mais tesão.

— Acho que estou pronta.
— Vai ser legal. Fique relaxada que vai dar tudo certo.
— Assim espero.
— Feche os olhos agora que vou te fazer mulher
— Tá bom.
— Minha mulher!

Com três estocadas leves, seguidas de uma mais viril, Sophia não quis dar sopa para o azar e arrebentou o hímen de Maria, antes que Rômulo, o gato, o irmão mais novo ou um trauma a pudessem interromper. Maria deu um grito de dor, que pôde ser ouvido por Rômulo lá fora.

Doeu e sangrou, mas serviu para libertar a menina presa em sua mocidade. Sophia se sentia uma supermulher por ter feito mulher uma outra mulher que, por ironia do destino, havia "caido em seu colo".

Maria, mesmo confusa e um tanto perdida, sentiu sair das suas costas um enorme peso, apenas por ter se permitido viver o que para muitos é absolutamente normal.

Já o rapaz, mais uma vez decepcionado, levantou-se, olhou para dentro do quarto pela última vez sem ser notado e saiu pelo portão de maneira convencional sem fazer ruido.

Era "só" mais uma paixão não correspondida. Era só mais uma troca sentida. Era só mais um NÃO na sua história de vida.
"Não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar."
Alicia Ferrari, Guerra Miraglia e Digboy curtiram essa mensagem.
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